Publicado em 17/09/2026 às 11:23 - Atualizado em 17/09/2026 às 12:32
Até sábado, (19/9), a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) realiza a INTERUFU 2026: Encontros Internacionais. A Semana de Internacionalização começou na quarta-feira, (16/9), e reúne estudantes, servidores, pesquisadores e comunidade externa em uma programação voltada à troca de experiências e à discussão sobre internacionalização no ensino superior.
Com atividades relacionadas a mobilidade, língua, linguagem e cultura, governança, ensino, pesquisa e extensão, o evento busca aproximar diferentes integrantes da comunidade acadêmica e ampliar as possibilidades de cooperação entre instituições e países. A programação também contempla ações vinculadas ao Programa de Fortalecimento da Política e das Ações de Internacionalização, fomentado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
Para a diretora de Relações Internacionais da UFU, Valeska Souza, o próprio nome do evento sintetiza a principal proposta de promover encontros. Segundo ela, a edição deste ano ocorre em um momento de ampliação das ações de internacionalização da universidade, especialmente com o programa CAPES Global.
“A ideia é que as pessoas se encontrem nesses quatro dias para contar suas experiências, para dividir os seus anseios”, explica Valeska. Para ela, a interação entre os participantes é parte fundamental do processo, permitindo a formação de grupos e o compartilhamento de experiências relacionadas à internacionalização.
Embora o intercâmbio seja uma das formas mais conhecidas de internacionalização, as experiências apresentadas durante a INTERUFU mostram que esse processo também pode acontecer dentro da própria universidade. É o que destaca o professor Rui Oppermann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e representante do Capes Global, programa de internacionalização em redes, do qual a UFU participa.
Segundo ele, a iniciativa pretende ampliar as oportunidades para estudantes de pós-graduação realizarem experiências acadêmicas no exterior, incluindo doutorados-sanduíche em diferentes países. Ao mesmo tempo, o programa também prevê a presença de pesquisadores e professores estrangeiros nas universidades brasileiras. A proposta é criar oportunidades de contato internacional para estudantes que não necessariamente terão a possibilidade de viajar.
A estratégia também envolve a formação de redes entre universidades brasileiras. Para o entrevistado, a cooperação permite que instituições com diferentes níveis de experiência em internacionalização compartilhem conhecimentos e ampliem sua capacidade de estabelecer acordos e parcerias internacionais.
Outro aspecto destacado pelo professor é a atuação em rede. O CAPES Global reúne universidades brasileiras com diferentes níveis de experiência em internacionalização, possibilitando o compartilhamento de conhecimentos e estratégias. Na avaliação apresentada por Rui, a cooperação entre as instituições também aumenta a capacidade de estabelecer acordos internacionais.
“Nós estamos trabalhando com uma rede de universidades que vão para o exterior, aumentando a nossa capacidade de realizar bons convênios, bons acordos, melhor do que se cada uma fosse sozinha.” destaca Oppermann.
A participação da UFU nesse processo se insere em um movimento mais amplo de fortalecimento da internacionalização da universidade. A iniciativa busca, assim, não apenas ampliar o número de estudantes que têm acesso à mobilidade internacional, mas também fortalecer as conexões entre instituições e criar novas possibilidades de circulação de pesquisadores e conhecimentos.
A abertura do INTERUFU 2026 contou com uma apresentação cultural do artista, professor e doutorando em Artes Cênicas da UFU, Pinto Incimba, intercambista angolano que veio ao Brasil por meio de uma bolsa vinculada ao Grupo de Cooperação Internacional de Universidades Brasileiras (GCUB). Durante a programação, Incimba apresentou a intervenção “O Negreiro”, obra que aborda as marcas deixadas pela guerra civil em Angola e as memórias e angústias vivenciadas pela população durante o conflito.
A dimensão da internacionalização também aparece na trajetória do artista. Em seu primeiro ano no país, Incimba afirma que a experiência tem sido marcada pela descoberta de novos hábitos, costumes e aspectos da cultura brasileira. Ao mesmo tempo, o intercâmbio representa uma oportunidade de levar conhecimentos adquiridos no Brasil de volta para Angola.
O pesquisador explica que seu objetivo é utilizar a formação realizada no Brasil para contribuir, posteriormente, com o ensino das artes em seu país. “Essa experiência que a gente vem colher aqui vai ajudar muito, não só a mim enquanto especialista, enquanto professor, enquanto artista, mas também na questão de reformular o que são aquilo que nós chamamos de programas ou então um currículo do ensino artístico”, relata.
A relação entre os dois países, segundo Incimba, também não é recente. Ele destaca a influência histórica de experiências brasileiras no ensino artístico angolano e aponta o intercâmbio como uma possibilidade de continuidade dessa circulação de conhecimentos.
Além da formação acadêmica, a experiência envolve aspectos culturais e sociais. Para o pesquisador, conhecer outros modos de convivência e outras formas de produção de conhecimento amplia a compreensão sobre diferentes realidades.
Para Valeska Souza, diretora de Relações Internacionais e Interinstitucionais , a internacionalização produz efeitos que ultrapassam a formação acadêmica. A experiência de estudar ou pesquisar em outro país pode contribuir para a trajetória pessoal do estudante e, posteriormente, para a própria universidade.
Segundo a diretora, o estudante que participa de um intercâmbio pode se tornar um representante da instituição no exterior, contribuindo para ampliar a visibilidade da UFU e estabelecer novas conexões. No âmbito individual, ela define a experiência como um processo de descoberta e contato com outras formas de compreender o mundo. “É um exercício de descoberta, um exercício de humildade, é um exercício de você viajar para o mundo do outro”, afirma.
A UFU mantém mais de 200 acordos assinados com instituições parceiras, de acordo com a diretora. As parcerias envolvem diferentes países, programas e modalidades de cooperação. A diretoria de Relações Internacionais também trabalha para aproximar essas possibilidades dos estudantes e ampliar o acesso às informações sobre oportunidades de internacionalização.
Os editais de credenciamento são publicados, semestralmente, e a DRI também realiza ações de aproximação com estudantes de graduação e pós-graduação. Para Valeska, a participação em eventos e o contato direto com a diretoria são caminhos para que os estudantes conheçam as oportunidades disponíveis. “Saibam que as portas da DRI estão abertas”, reforça.
A programação do INTERUFU 2026: Encontros Internacionais foi organizada ao longo de quatro dias, com atividades voltadas à troca de experiências, apresentação de pesquisas e discussão sobre diferentes dimensões da internacionalização.
No dia 16 de setembro, a programação teve início às 13h30, com a abertura oficial e cultural do evento, seguida pela Palestra Magna e a Mesa-Redonda “Internacionalização e Justiça Social”, encerrando as atividades do dia às 17h30.
No dia 17, as atividades começaram pela manhã, das 8h30 às 11h30, com sessões de comunicação oral. No período da tarde, das 13h30 às 17h30, foram realizados relatos de experiências internacionais, compartilhamento de experiências nos estandes e uma sessão de comunicação oral presencial.
Já no dia 18, a programação da manhã vai contar com uma Roda de Oportunidades. À tarde, das 13h30 às 17h30, os participantes vão acompanhar a Oficina de Países.
Encerrando a programação, no dia 19 de setembro, acontecerá, das 8h30 às 11h30, a Jornada Poliglota, última atividade da Semana de Internacionalização.
Para mais informações acesse o instagram da DRI.
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Palavras-chave: internacionalização intercâmbio cooperação
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