Publicado em 06/10/2026 às 09:50 - Atualizado em 06/10/2026 às 09:59
O câncer de mama não é uma doença exclusiva dos seres humanos e figura como um dos tipos de tumores mais comuns que afetam cadelas e gatas. De acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina (CRMV-SC), os tumores mamários têm cerca de 50% de probabilidade de ocorrência em cadelas. Nas gatas, embora seja o terceiro tipo de neoplasia mais frequente, existe um agravante: mais de 80% desses tumores são malignos.
A idade avançada, a obesidade e os fatores hormonais estão entre as principais causas da doença. A professora de patologia Pamela Rodrigues Moreira, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), explica que a castração precoce é o principal método de prevenção. "Se a gente castra o animal antes do primeiro cio, a chance dele desenvolver uma neoplasia de mama é em torno de meio por cento", detalha. A partir do terceiro cio, o risco de desenvolvimento da doença se iguala ao de um animal que nunca foi castrado.
Outro fator de risco significativo é o uso de injeções anticoncepcionais. Graduando de Medicina Veterinária e integrante da Liga Acadêmica de Patologia Oncológica Veterinária da UFU, Guilherme Acconcia alerta que esses medicamentos são "verdadeiras bombas hormonais para as fêmeas". Ele destaca que a aplicação sem orientação médica pode causar infecções uterinas graves, como a piometra, e aumentar drasticamente as chances de câncer de mama.
Para garantir o bem-estar do animal, a observação contínua e a palpação em casa são fundamentais, pois o diagnóstico precoce impede que as células tumorais se espalhem para outros órgãos, formando metástases. Acconcia orienta que os tutores realizem a palpação na região da cadeia mamária de forma cuidadosa e sem movimentos bruscos. Se notarem aumento de volume, caroços ou secreção, é essencial buscar ajuda profissional, embora o estudante aponte que "nem toda bolinha que o tutor percebe é necessariamente um tumor".
O episódio #157 do podcast “Ciência ao Pé do Ouvido” busca compreender como a doença se desenvolve, quais são seus fatores de risco e como o diagnóstico precoce pode salvar a vida dos animais. Durante a conversa, Moreira e Acconcia detalham como a palpação e a atenção aos comportamentos do animal servem como apoio à especialidade médica veterinária.
Outubro Rosa Pet
Com o objetivo de alertar a população sobre a importância de identificar precocemente as neoplasias nos animais, a Liga Acadêmica de Patologia Oncológica Veterinária da UFU promove uma ação presencial em alusão ao Outubro Rosa Pet. A intenção é expandir o conhecimento gerado na universidade para a sociedade e ensinar os tutores a observarem a saúde de seus animais.
O evento será realizado no dia 24 de outubro, das 9h às 12h, no Parque Granja Marileusa, em Uberlândia (MG). Durante a ação, os integrantes da liga estarão no local para orientar o público sobre como fazer a palpação correta e identificar possíveis nódulos. Os tutores estão convidados a levar seus cães e gatos para receberem as instruções preventivas de forma gratuita.
Câncer de mama em humanos
Na saúde humana, o câncer de mama é caracterizado pela multiplicação desordenada de células anormais na região mamária, formando um tumor com potencial de atingir outros tecidos e órgãos do corpo. Assim como enfatizado pelos especialistas na medicina veterinária em relação aos animais, o diagnóstico humano precoce e a observação atenta do próprio corpo são fatores primordiais para aumentar as chances de cura e garantir tratamentos menos invasivos.
A conexão entre a saúde humana e as campanhas de conscientização já é uma pauta contínua no jornalismo científico da universidade. O podcast Ciência ao Pé do Ouvido abordou o câncer de mama em humanos no episódio #69, intitulado "A saúde entre o rosa e o azul". O programa discutiu as campanhas Outubro Rosa e Novembro Azul, levando em conta a inclusão da pluralidade de corpos, como os das pessoas trans, nas ações de prevenção e cuidado em saúde, reforçando que a informação de qualidade é o melhor caminho para a proteção de todos.
Além disso, divulgamos nesta semana 15 pesquisas da UFU sobre câncer de mama, em que diferentes áreas investigam acesso ao tratamento, alimentação de pacientes e até novas estratégias para diagnóstico e combate a tumores.
Você pode conferir os episódios nas principais plataformas de podcast e também aqui no portal Comunica UFU. O "Ciência ao Pé do Ouvido" é produzido pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social da UFU (Dirco/UFU) e conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
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