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16/02/2022 - 15:55 - Atualizado em 21/02/2022 - 10:16
Onde habita o morcego vampiro?
Pesquisa realizada com a participação da UFU revelou a distribuição do morcego vampiro - principal transmissor da raiva nas Américas
Por: 
Portal Comunica UFU
Por: 
Stefan Vilges de Oliveira*

A raiva, transmitida pelo Desmodus rotundus, é uma doença infecciosa que apresenta uma letalidade aproximada de 100%. (Foto: Arquivo pessoal /Stefan V. de Oliveira)

O morcego vampiro Desmodus rotundus é uma das três espécies de morcegos que se alimentam de sangue, tendo hábito exclusivamente hematófago. Esse morcego pode alimentar-se de sangue de diversas espécies de mamíferos, incluindo em seu cardápio como presas os seres humanos.

O hábito alimentar da espécie (prática de alimentar-se de sangue) lhe confere um papel importante como reservatório de diversos patógenos (bactérias e vírus) e na transmissão de doenças denominadas de zoonoses, entre elas, a principal é a raiva.

A raiva é uma doença infecciosa que apresenta uma letalidade aproximada de 100% e que gera grandes prejuízos para a saúde animal e humana e por isso essa espécie de morcego é alvo de programas sanitários de vigilância e controle.

O reconhecimento da distribuição de espécies consideradas reservatório de doenças é ponto de partida para implementar ações profiláticas e essa foi a principal justificativa para realização de uma pesquisa que compilou os dados dos locais de ocorrência desse morcego nas Américas.

O estudo coordenado pelo pesquisador Luis E. Escobar, do Center for Emerging Zoonotic and Arthropod-borne Pathogens, Virginia Tech, EUA, e que tem como primeira autora a pesquisadora Paige Van de Vuurst, da mesma Instituição, foi publicado, em 16/02/2022, com o nome de A database of common vampire bat reports.

O estudo contou com a participação de 12 instituições de pesquisa de seis países das Américas, compilando mais de 39 mil localidades onde foi confirmada a presença do morcego vampiro em países das Américas do Sul, Central e parte da América do Norte.

Os registros de ocorrência de D. rotundus foram coletados de uma variedade de recursos e bancos de dados publicamente disponíveis, de uma rede de museus de história natural, de repositórios oficiais da agricultura e da saúde e de literatura científica.

A participação dos morcegos em ciclos de doenças deve ser investigada, recebendo estímulos governamentais com linhas de financiamento que possibilitem ampliar o conhecimento da participação destes animais na transmissão de outras zoonoses.

A prova disso, é a pandemia de covid-19, que teve a sua origem em morcegos na China. Portanto, a vigilância epidemiológica sobre essas espécies é uma estratégia que deverá ser fomentada e mantida de forma sistemática com objetivo de evitar novas pandemias.

Instalação de redes de Neblina para captura de morcegos vampiros em mina abandonada para realizar monitoramento da raiva. Caçapava do Sul, RS, Brasil. (Foto: Acervo pessoal de Stefan V. de Oliveira)

O morcego vampiro está distribuído em todo território nacional ocupando todos os tipos de ambientes e paisagens florestadas, assim como regiões desérticas, abrigando-se em ocos de árvores, cavernas, bueiros, minas abandonadas e até mesmo construções civis. Suas colônias possuem, em média, 10 a 50 indivíduos, podendo chegar até mais de 100 espécimes. As fêmeas têm um filhote por gestação ao ano, ocasionalmente podem ocorrer gêmeos e o período de gestação é de sete meses.

Morcego vampiro fêmea carregando seu filhote junto ao ventre capturada em rede de neblina em atividade de vigilância da raiva. (Foto: Acervo pessoal de Stefan V. de Oliveira)

Economicamente, a espécie pode trazer grandes prejuízos para a agropecuária pela transmissão da raiva para herbívoros, que é fatal para os animais de criação quando estes morcegos estão infectados pelo vírus da raiva. O hábito de hematofagia da espécie, também pode gerar prejuízos no ganho de peso do gado, ocasionando anemia e infecções secundárias que poderão igualmente causar a morte.

Na saúde humana, existe a preocupação com casos de raiva que são registrados esporadicamente em populações ribeirinhas da Amazônia, espoliadas por morcegos infectados enquanto repousam. Óbitos por raiva humana transmitida pelo morcego vampiro foram registrados recentemente em alguns estados da região Norte do Brasil.

O artigo “A database of common vampire bat reports“ publicado na Revista Scientific Data, da Plataforma Nature, pode ser acessado na íntegra. A publicação também disponibiliza integralmente uma base de dados com os registros georreferenciados que poderão ser utilizados em pesquisas na área da saúde pública e apoiar no entendimento da ecologia da espécie.

 

*Stefan Vilges de Oliveira, docente do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da UFU, coordena um grupo de pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde que estuda a Ecoepidemiologia de Zoonoses e reuniu os dados da distribuição do morcego vampiro (Desmodus rotundus) no Brasil.

 

A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao. Se você já enviou o seu texto, aguarde que ele deve ser publicado nos próximos dias.

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