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15/02/2022 - 17:36 - Atualizado em 16/02/2022 - 16:34
Pesquisadores da UFU ganham prêmio do Google pela segunda vez
Trabalho desenvolvido na pós-graduação da Faculdade de Computação permite diagnóstico da covid-19 pela saliva utilizando inteligência artificial
Por: 
Marco Cavalcanti

Murillo Carneiro e Anísio Júnior desenvolvem um dos 24 projetos premiados na América Latina. (Fotos: Arquivos dos pesquisadores)

Dois pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) foram, pela segunda vez, vencedores de uma das categorias do Latin American Research Awards (Lara), promovido pelo Google. O mestrando Anísio Pereira dos Santos Júnior, do Programa de Pós-Graduação em Computação (PPGCO), e seu orientador, professor Murillo Guimarães Carneiro, venceram em 2020 e, agora, a edição de 2021. O resultado foi divulgado no último dia 10/02.

Tanto em 2020 quanto em 2021, os dois venceram na categoria "Covid-19", que reconhece trabalhos acadêmicos com foco na geração de conhecimento sobre a pandemia e gestão da saúde. Santos Júnior e Carneiro desenvolvem pesquisas que colaboram com um projeto maior, idealizado pelo professor Luiz Ricardo Goulart Filho, que faleceu em 2021.

Carneiro esclarece que o projeto, desenvolvido por meio de uma parceria público-privada entre a UFU e a Biogenetics, conta com pesquisadores de várias áreas do conhecimento, como os professores Robinson Sabino-Silva (Odontologia) e Thulio Marquez Cunha (Medicina), e tem por objetivo o desenvolvimento de uma plataforma de diagnóstico da covid-19 a partir de testagem, em até dois minutos, por meio da saliva.

A saliva, como explica o orientador da pesquisa, é muito rica em materiais biológicos, em compostos, em proteínas. Primeiro, as propriedades moleculares da saliva são representadas na forma de um espectro a partir de um equipamento de espectroscopia de infravermelho. Ao analisar as características desse espectro, os cientistas utilizam técnicas sofisticadas de deep learning para identificar nelas padrões, perfis, que podem indicar a presença do vírus.

Como depois da premiação de 2020 o trabalho dos pesquisadores da UFU continuou a evoluir, foi possível a inscrição de uma nova versão (Deep Learning em espectroscopia molecular salivar: um teste sustentável, rápido e não invasivo para o diagnóstico de COVID-19). “A nossa pesquisa é uma análise de propriedades moleculares de saliva para o diagnóstico de covid-19. Só que essa análise a gente não vai fazer como a literatura tem feito”, conta Carneiro.

“A gente trabalha desenvolvendo métodos do estado da arte [nível mais alto de conhecimento a respeito de um determinado campo], baseados em deep learning (aprendizado profundo), como redes neurais convolucionais. É um tipo de aprendizado mais robusto capaz de prover maior potencial de diferenciação entre amostras de saliva de pacientes que têm covid e de pacientes saudáveis”, completa o docente.

Carneiro acrescenta que eles conseguiram uma melhoria no desempenho, quando comparado com algumas abordagens tradicionais. “Agora a gente quer explorar um pouco mais alguns aspectos inerentes ao deep learning, alguns mecanismos mais sofisticados, que vão permitir que a gente treine com uma rede neural maior e mais robusta do que as que a gente tem treinado até agora”, diz o professor.

Na edição 2021 do prêmio, 24 projetos foram selecionados, dentre 700 inscrições realizadas por doutores que orientam pós-graduandos. Desses trabalhos selecionados, 14 foram do Brasil, três da Argentina, três do Chile, dois do México, um do Peru e um do Uruguai. Os pesquisadores vão receber, como prêmio, bolsas mensais de US$ 750 (mestrando) e US$ 675 (orientador) por mais um período de um ano.Para o mestrando Santos Júnior, a premiação do Google foi sua maior conquista acadêmica. “Conseguir a bolsa pela segunda vez; não tenho palavras para descrever a minha felicidade. Eu agradeço ao meu orientador e toda a equipe que faz parte desse projeto, por me dar a chance de fazer parte desse time”, declara o estudante.

“Espera-se que os resultados da pesquisa contribuam no desenvolvimento de um teste de saliva rápido, sustentável e não-invasivo, com potencial para também contribuir no diagnóstico de outras doenças, como câncer e zika”, revela Santos Júnior.

 

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