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21/06/2022 - 15:17 - Atualizado em 24/06/2022 - 08:26
Música Caipira: uma construção histórica e cultural, muito além da moda de viola
Thiago Righi, músico e pesquisador, fala sobre a importância desse estilo musical no episódio #52 do Ciência ao Pé do Ouvido
Por: 
Túlio Daniel

Episódio está disponível nas principais plataformas de podcast. (Arte: Ludimila de Castro)

Junho está acabando e nessa época do ano é quase impossível não lembrar das famosas festas juninas, principalmente pela falta que fizeram durante o isolamento social causado pela pandemia de covid-19.

A origem das comemorações vem do período pré-gregoriano na Europa, por volta de 1500, como uma festa pagã que comemorava a fertilidade da terra e das boas colheitas. Por isso há uma forte ligação com o campo e a cultura interiorana. Apesar da comemoração acontecer sempre no solstício de verão, no dia 24 de junho, o nome não surgiu por causa do mês, mas sim por causa do santo João Batista. A tradição foi abraçada pela Igreja Católica, como festa joanina, prestando homenagem aos três santos: Antônio, João e Pedro.

No Brasil, a festa chegou através dos colonizadores e foi bem recebida pelos povos nativos por lembrar as culturas locais. Com o tempo, algumas características foram sendo agregadas, como as fogueiras, por causa da época fria do ano, o Correio Elegante e a maçã do amor, por causa do dia dos namorados, comemorado na mesma época, e a confraternização de comidas, como bolos, milho e quentão.

Outro aspecto forte dessas festas são as músicas tradicionais. Todavia, a música típica das danças juninas se difere da música caipira, marca presente na região chamada de Paulistânia, formada pelos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, e partes de Minas Gerais, Goiás, Paraná e Mato Grosso.

Essa região foi formada por meio das expedições bandeirantes, reforçada pela presença dos italianos que entraram no Brasil e se dirigiram às fazendas de café pelo interior do país. A base da Paulistânia é a identidade caipira, que se reflete na cultura como um todo, principalmente na culinária, música, sotaque e estilo de vida. O ritmo musical tradicional é o sertanejo, chamado também de música caipira, sertanejo raiz ou moda de viola.

 

“O mineiro e o italiano viviam às barras dos tribunais

Numa demanda de terra que não deixava os dois em paz

Só em pensar na derrota, o pobre caboclo não dormia mais

O italiano roncava: nem que eu gaste alguns capitais

Quero ver este mineiro voltar de a pé pra Minas Gerais”

 

A música “O mineiro e o italiano”, escrita por Teddy Vieira em parceria com Nelson Gomes, se enquadra na moda de viola e apresenta a maioria dos elementos que caracterizam a cultura caipira e Paulistânia. Esse foi o tema da dissertação de mestrado de Thiago Righi, intitulada de “A Paulistânia, o mineiro e o italiano: cultura caipira, processo histórico e acesso à terra no fonograma de uma moda de viola”.

Righi é músico instrumentista e pesquisador, com premiações e participações em grandes festivais no Brasil e na Europa. Ele é bacharel em Música Popular e em História, se especializou em Música Contemporânea e Improvisada no Centro de Músicas Didier Lockwood da França, é Mestre em Filosofia e é o convidado do episódio #52 do Ciência Ao Pé do Ouvido, para falar um pouco sobre a música e a cultura caipira.

O episódio já está disponível em todas as plataformas de streaming. Ouça agora no Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music ou diretamente no Anchor.

 

 

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