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Meio ambiente

Quando se trata do futuro, não é uma questão de prevê-lo, mas de torná-lo possível

Fazendas experimentais da Universidade Federal de Uberlândia unem ciência e práticas de sustentabilidade

Por: Gabriel Coelho
Publicado em 27/03/2025 às 09:33 - Atualizado em 28/03/2025 às 15:38

A crise climática prejudica a capacidade do solo de produzir alimentos. (Foto: Pixabay)

 

Em 1995, o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) publicou um relatório(link is external) no qual alertava que os ecossistemas naturais, socioeconômicos e a saúde humana são sensíveis às mudanças climáticas, e previa um aumento de 2°C na temperatura média global em relação ao período pré-industrial até 2100. Todavia, o Sexto Relatório de Análise(link is external) (AR6), produzido também pelo IPCC, em 2023, prevê um aumento de 1,5°C até 2030 e de 2°C até meados do século. Mesmo neste levantamento mais recente, forçado ao pessimismo pela continuidade do aumento das temperaturas e das emissões, a crise climática foi subestimada. A Organização Meteorológica Mundial (OMM), em janeiro deste ano, confirmou(link is external) uma temperatura média acima de 1,5°C em 2024. 

Diferentes aspectos da existência humana estão em situação de risco devido a esses fatores, mas a produção agrícola representa um dos pontos mais sensíveis, econômico e socialmente, para o Brasil. Segundo estudo divulgado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa(link is external)), o aquecimento global pode comprometer a produção de alimentos, levando a perdas que começam com até R$ 7,4 bilhões em 2020 e podendo atingir R$14 bilhões em 2070. A soja, principal cultura de exportação brasileira, deve ser a mais afetada. Ademais, o mercado interno seria prejudicado junto às exportações, o que contribui para elevar os preços alimentícios e coloca em risco a segurança alimentar da população 

Nesse contexto alarmante, a utilização dos conhecimentos científicos desenvolvidos pelas universidades públicas é essencial para manter a produção vegetal e a segurança alimentar no Brasil. É entre as terras públicas dedicadas ao ensino superior que a Fazenda do Glória, anexa ao Campus Glória da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), se destaca como modelo de produção agrícola sustentável. Os métodos inovadores da universidade fazem do local uma fazenda experimental e comercial, mas, também, uma reserva de vegetação e animais silvestres. 

 

Foto de plantação de feijão ainda pequena
O plantio direto cria uma camada de matéria orgânica acima do solo, que contribui para sua preservação. (Foto: Milton Santos)

 

Doutor em Agronomia/Produção Vegetal e professor do Instituto de Ciências Agrícolas (Iciag/UFU), Maurício Martins é especialista em adubação verde em região de cerrado e agrometeorologia. De acordo com ele, o Sistema de Plantio Direto, utilizado pela indústria agrícola e pela universidade, aumenta a produtividade e preserva o solo.

Entretanto, isso não basta para garantir uma prática agrícola sustentável. O conhecimento da meteorologia do local de plantio é primordial, pois permite a coleta de uma série de informações sobre solo, umidade do ar, incidência de radiação solar, entre outras. Ainda, o profissional argumenta que a ciência no campo segue subfinanciada. "[O que pode prejudicar a sustentabilidade] é a falta de recursos governamentais para que os órgãos de pesquisa e inovação possam acompanhar as mudanças dinâmicas que ocorrem no mundo agrícola”, afirma Martins.

Além do sistema de plantio, os fertilizantes e o controle de pragas utilizados contribuem para a produtividade e sustentabilidade da produção. O Iciag desenvolve numerosos estudos a respeito da utilização de fertilizantes e inoculantes naturais. Por isso, não faltam exemplos de contribuição da UFU, a exemplo do Grupo de Pesquisa Silício na Agricultura (GPSi), que provou como o silício pode aumentar a resistência de plantas e diminuir a necessidade de defensivos, e do Grupo de Pesquisa Fertilizantes Especiais, que ganhou o VI Simpósio Mineiro de Ciência do Solo. Desta forma, a produção agrícola da universidade faz a ciência dialogar com as necessidades específicas da região do Triângulo Mineiro e serve de exemplo para todo o Brasil. 

 

 

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Palavras-chave: meio ambiente Fazendas UFU agricultura mudanças climáticas

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