Publicado em 18/12/2025 às 14:55 - Atualizado em 22/12/2025 às 13:49
A doutoranda em História Aleska Trindade Lima está desenvolvendo uma pesquisa sobre as transformações físicas e institucionais relacionadas à inclusão e acolhimento de estudantes com deficiência, ocorridas na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) entre 2005 e 2024. Como parte de seu estudo, Aleska procura por estudantes voluntários, da graduação ou pós-graduação, para responderem um questionário sobre suas vivências e desafios dentro da universidade.
A tese busca entender como a presença dos discentes dentro da universidade fomentou essas mudanças ao longo desses 19 anos. O questionário pode ser respondido por alunos ou ex-alunos, contanto que sejam pessoas com deficiência, físicas e/ou psicossociais.
Intitulado “Percursos para uma história aleijada: abordagens, temas e perspectivas de pesquisadores/as com deficiência na Universidade Federal de Uberlândia (2005-2024)”, o projeto de pesquisa tem como pilar a “Teoria Crip’. O termo “Crip” advém de “Cripple”, que seria aleijado em português, segundo Aleska, a teoria positiva o termo “aleijado”. Popularizado por Robert McRuer, autor do livro “Teoria Crip: Signos culturais entre o queer e a deficiência”, o conceito desnaturaliza a distinção entre a capacidade e a deficiência e estabelece que a deficiência é uma construção social, trazendo a perspectiva cultural para além da visão médica já muito consolidada.
“Às vezes incomoda um pouco, mas é uma forma da gente chamar atenção para isso também, trazer o olhar para a pesquisa de uma forma que realmente incomode um pouco as pessoas também”, salienta a pesquisadora sobre o uso do termo.
O recorte temporal da pesquisa (2005 a 2024) se relaciona às mudanças legislativas ocorridas: Em 2005 ocorreu a criação do programa nacional Incluir, que desenvolve políticas institucionais de acessibilidade nas universidades federais. Dez anos depois foi sancionada a Lei Brasileira de Inclusão, garantindo os direitos de pessoas com deficiência e promovendo a igualdade no exercício da cidadania. Dentro desse recorte também houve a sanção da Lei de Cotas, em 2012, e a inclusão de pessoas com deficiência em 2016.
A pesquisadora afirma a amplitude das consequências após essas mudanças em território nacional, como o aumento da presença de alunos com deficiência no ensino superior, e destaca a importância não só do ingresso desses estudantes, mas também da permanência deles.
O estudo também utiliza como base a “história oral” (história contada a partir da visão do indivíduo que a vivencia) em sua construção, incluindo os estudantes não só como pesquisados, mas também como pesquisadores, convidando à reflexão sobre o tema. Segundo a pesquisadora, o primeiro passo do uso dessa vertente é o formulário e as informações quantitativas que ele apresentar. Após seu fechamento, haverá uma seleção dentre os estudantes que responderem para uma entrevista, tendo suas informações também mantidas em sigilo, em busca de informações mais qualitativas para a continuidade do estudo.
“Quem são esses estudantes com deficiência da UFU? Em quais cursos eles estão divididos? Esses estudantes também estão se debruçando, sobre a temática da deficiência? (...) E aí pensar em todos os campi também, mas entender principalmente isso... Que transformações, que mudanças esses estudantes estão causando nesse território acadêmico da gente que é tão amplo.”, evidencia a doutoranda.
Mestra pelo Instituto de História da UFU (Inhis/UFU) e pessoa com deficiência, pesquisa sobre o tema desde sua graduação. Em sua passagem pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) se deparou com a falta de acessibilidade arquitetônica na Escola Estadual Messias Pedreiro e por isso desenvolveu o projeto “Social Inclusão” junto aos alunos, em 2019, após isso se dedicou a investigar a situação de todas as escolas públicas da cidade.
“Aquilo me motivou a pensar como que professores com deficiência, os estudantes com deficiência poderiam ocupar esses lugares que ainda tinham tantas barreiras”, comenta a pesquisadora, que também inseriu a pauta dentro da universidade.
Criada em 2004, a Divisão de Acessibilidade e Inclusão (Dacin) foi recentemente vinculada ao gabinete da reitoria a pedido do reitor Carlos Henrique de Carvalho. Segundo Aleska, essa atitude indica um avanço da instituição, citando como exemplo a existência de uma recepção para os alunos ingressantes com deficiência, que é organizado pelo órgão.
Ainda assim, a pesquisadora aponta necessidades de infraestrutura, a exemplo de irregularidades em calçadas do Campus Umuarama, falta de manutenção de elevadores e ausência de um no Centro de Documentação e Pesquisa em História (CDHIS). Ressaltou também a importância dos cursos em participar das capacitações e reivindicar essas mudanças.
Segundo a coordenadora da Dacin, Janine Cecília Gonçalves Peixoto, desde fevereiro deste ano, a Divisão esteve focada em capacitar os docentes para adaptar o ensino e as atividades em favor desses alunos, além de melhorar políticas internas para o atendimento deles. Destaca também que é preciso da procura desses discentes pela Dacin para que suas necessidades sejam levadas diretamente à reitoria. “Não adianta eu ir sozinha, preciso que eles me procurem para ganharmos força”, ressalta Janine.
O formulário ficará disponível até março de 2026, clique aqui para acessá-lo.
Contato com a pesquisadora: Me. Aleska Trindade Lima (PPGHI/UFU) atrindade96@gmail.com
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Palavras-chave: pesquisa Ciência inclusão pessoas com deficiência dacin história Instituto de História INHIS
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