Publicado em 12/02/2026 às 10:00 - Atualizado em 12/02/2026 às 10:28
O ano de 2026 começou com o custo de vida mais alto para o morador de Uberlândia. Dados divulgados pelo Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (CEPES-UFU) revelam que tanto a inflação geral quanto o custo da alimentação básica sofreram elevações em janeiro, pressionando o orçamento das famílias.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-CEPES), que mede a inflação oficial do município, registrou variação de 0,24% em janeiro. O número representa uma aceleração frente ao mês anterior (dezembro de 2025), que havia ficado em 0,09%. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação na cidade atinge a marca de 3,07%.
O grande responsável pela elevação do índice foi o grupo Transportes, que teve alta de 1,20%. O motorista sentiu o peso nas bombas: os combustíveis para veículos encareceram 5,24% apenas no primeiro mês do ano. O etanol liderou a subida (+8,86%), seguido pela gasolina (+4,82%).
Por outro lado, o índice não foi maior graças ao alívio nas contas de casa. O grupo Habitação registrou queda de 0,78%, influenciado principalmente pela redução de 2,32% na tarifa de energia elétrica residencial. O grupo Educação também apresentou recuo atípico para o período (-1,22%), puxado pela queda de preços em cursos diversos.
Se a inflação geral subiu de forma moderada, o impacto na mesa do trabalhador foi mais severo. O Boletim da Cesta Básica de Alimentos aponta que o conjunto de alimentos essenciais custou R$ 709,16 em janeiro, uma alta expressiva de 2,92% em relação a dezembro.
O grande vilão da lista de compras foi o tomate, que disparou 31,45% no mês. Outros itens essenciais, como a banana (+2,22%) e o pão (+0,95%), também contribuíram para a alta. A carne bovina, item de maior peso no orçamento, consumindo R$ 268,72 da renda mensal, teve leve alta de 0,57%.
Na contramão, alguns itens deram alívio ao consumidor, como o óleo de soja (-4,03%), o açúcar (-2,73%) e o arroz (-2,04%).
Os dados do CEPES destacam a disparidade entre o rendimento oficial e o custo de vida real. Para adquirir a cesta básica em janeiro, um trabalhador que ganha o salário mínimo precisou dedicar 96 horas e 15 minutos de sua jornada laboral. O gasto com alimentação compromete, atualmente, cerca de 46% do salário mínimo líquido.
Categoria
Valor (R$)
Descrição
Salário Mínimo oficial
R$ 1.621,00
O que o trabalhador recebe
Cesta Básica
R$ 709,16
Custo apenas com alimentação (1 pessoa)
Salário Mínimo Necessário
R$ 5.957,66
Para sustentar uma família de 4 pessoas (segundo CEPES)
O estudo ainda calcula qual seria o "Salário Mínimo Necessário" para cumprir o que determina a Constituição (garantindo moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência para uma família de quatro pessoas). Segundo o CEPES, esse valor em Uberlândia deveria ser de R$ 5.957,66 — montante 3,6 vezes superior ao salário mínimo oficial vigente de R$ 1.621,00.
Quer saber mais? Acesse os boletins do IPC-CEPES e o da Cesta Básica de Alimentos de Uberlândia.
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Palavras-chave: CEPES IPC-CEPES inflação Cesta Básica de Alimentos
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