Publicado em 29/06/2026 às 09:49 - Atualizado em 29/06/2026 às 10:05
Fundado em 1992 pelos professores Américo Scotti e Valtair Ferraresi, o Laboratório de Processos de Soldagem (Laprosolda), da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Uberlândia (Femec/UFU), tornou-se uma das principais referências brasileiras em tecnologias de soldagem e manufatura aditiva metálica, área conhecida popularmente como impressão 3D. Ao longo de mais de três décadas, o grupo consolidou uma trajetória marcada pela aproximação entre a universidade e a indústria. Entre estudantes de graduação, pós-graduação, pesquisadores, técnicos e docentes, hoje o grupo reúne 103 integrantes.“A vantagem de estar na universidade é que você tem pessoas que estão sensibilizadas, que se importam com a inovação, com a pesquisa e o desenvolvimento. Você está num ambiente que floresce ideias”, afirma o atual coordenador do laboratório, Louriel Oliveira Vilarinho. Além da manufatura aditiva e soldagem, o laboratório acompanha as transformações da indústria 4.0, integrando áreas como automação, desenvolvimento de softwares industriais e inteligência artificial em suas pesquisas.
O que é manufatura aditiva?
Embora a técnica seja mais conhecida pelas impressoras 3D que utilizam plástico, a manufatura aditiva pode ser aplicada a diversos materiais, como cimento, areia, cerâmica e metais. Segundo Vilarinho, a tecnologia já permite aplicações em escalas muito maiores do que os objetos produzidos em impressoras domésticas. “Ainda não está tão difundido, mas a gente conseguiria imprimir uma casa inteira com manufatura aditiva”, exemplifica. Independente do material, a prática consiste em construir um objeto gradualmente, camada por camada. Para explicar o conceito, o coordenador recorre a uma analogia simples: “Imagina que você tem um saquinho de confeiteiro e você vai confeitando o produto. Camada de bolo sobre camada de bolo, glacê sobre glacê”.No caso do Laprosolda, o foco está nos metais. Utilizando tecnologias derivadas dos processos de soldagem, os pesquisadores depositam sucessivas camadas metálicas até formar a geometria desejada."Hoje a manufatura aditiva, digamos assim, é quase um carro chefe do laboratório”, explica o coordenador.
Pesquisa e inovação
A aproximação com a indústria acompanha o Laprosolda desde sua criação. Para identificar novas demandas, a equipe participa de feiras tecnológicas, realiza visitas técnicas e mantém contato constante com empresas. "A gente sempre teve essa relação com a indústria", explica o docente. O laboratório foi credenciado como uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), em 2016. Em julho deste ano, a unidade completa dez anos de atuação. Vilarinho explica que grande parte das pesquisas do grupo buscam aperfeiçoar tecnologias já existentes e acelerar sua aplicação prática: “Eu tenho uma ideia, ela já está funcionando e eu quero melhorar. Você não inventou a tecnologia, você melhorou. Isso às vezes tem impacto mais imediato na sociedade”. Ao mesmo tempo, o ambiente universitário permite explorar ideias de maior risco tecnológico, que nem sempre encontram espaço dentro das empresas. “A indústria nacional ainda não está cem por cento preparada para isso. A pessoa tem uma ideia maluca e tenta fazer a maluquice que tem, a universidade é o lugar propício para isso”, avalia.Em 2023, pesquisadores do Laprosolda foram bicampeões do Prêmio Petrobras Inventor, reconhecimento concedido a soluções inovadoras com potencial de aplicação industrial. Entre os projetos premiados estão um dispositivo para auxiliar operações de soldagem manual e um sistema embarcado para monitoramento de dados, voltado à indústria 4.0.
Novos materiais e desafios para o futuro
Além do desenvolvimento de peças metálicas por impressão 3D, o laboratório tem direcionado parte de suas pesquisas para temas emergentes da indústria, como sustentabilidade, novos materiais e fortalecimento das cadeias produtivas nacionais. Segundo Vilarinho, os pesquisadores trabalham atualmente com misturas envolvendo aço, cobre, alumínio e níquel, entre outros elementos.
Outro foco é a redução dos impactos ambientais associados aos processos industriais, com destaque ao desenvolvimento de alternativas que contribuam para diminuir as emissões de carbono. “A indústria nacional entende que é importante, mas o investimento ainda tá meio conservador. A gente já está olhando o aspecto ambiental para entregar o resultado no futuro”, afirma.
As mudanças observadas nas cadeias globais de suprimentos após a pandemia de covid-19 e conflitos internacionais também passaram a influenciar as pesquisas desenvolvidas pelo grupo. Para Vilarinho, a necessidade de produzir localmente tecnologias estratégicas tornou-se um desafio importante para universidades e empresas brasileiras. “O mundo vinha falando de globalização, integração, comércio mundial, mercado mundial, mas não foi isso que a gente viu”, afirma. Com parcerias em diferentes regiões do Brasil e colaborações internacionais com instituições da Alemanha, Espanha, Estados Unidos, China e Portugal, o Laprosolda continua ampliando sua rede de atuação. Neste ano, Vilarinho participará da Feira Mundial da Manufatura de Tóquio e realizará visitas técnicas à Universidade de Osaka, no Japão, para divulgar as pesquisas em manufatura aditiva e soldagem desenvolvidas na UFU.
Além da Engenharia Mecânica, o grupo conta com participantes de diferentes engenharias e da computação: “Para mim, é impossível você ter só uma área”. Mais informações sobre o laboratório, suas linhas de pesquisa e oportunidades para estudantes podem ser encontradas no site oficial do Laprosolda.
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Palavras-chave: Laprosolda Femec Embrapii Engenharia Mêcância manufatura aditiva soldagem
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