Publicado em 11/06/2026 às 13:18 - Atualizado em 12/06/2026 às 11:51
O Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Uberlândia (CAp/UFU), conhecido como Eseba, integrou a obra “Patrimônio: Histórias de um bairro em quadrinho”, de Luiz Rogério, ao conjunto de materiais didáticos da instituição. A ação faz parte do Programa Municipal de Incentivo à Cultura da prefeitura de Uberlândia e tem sido implementada nas aulas de História Local para a turma do 5º ano.
A obra “Patrimônio: histórias de um bairro em quadrinhos”, publicada pela Editora da UFU, utiliza da linguagem artística para retratar e narrar a formação da cidade de Uberlândia, especialmente sobre o bairro Patrimônio. O livro é desenvolvido a partir de uma relação muito profunda com a história, o que possibilita uma viagem no tempo sobre os primeiros povoamentos na região, o início das atividades industriais no bairro e as festividades tradicionais que formaram a cultura da cidade.
Para além de uma imersão ao passado, o livro recupera e reposiciona as contribuições dos povos negros e indígenas para a construção da cidade de Uberlândia, sendo uma retratação digna da resistência cultural e histórica desses grupos. O posicionamento progressista está para além do conteúdo, o formato do livro também evidencia o combate à desigualdade ao incluir a audiodescrição para ampliar o acesso ao material.
O professor de História que inseriu a obra no currículo, Christian Alves Martins, explicou que a inserção surgiu a partir da percepção de que os livros didáticos convencionais não são suficientes para o processo de ensino da disciplina, assim, apoiados na liberdade que possuem para lidar com essas questões, optaram pelo desenvolvimento próprio do material a ser estudado. Segundo ele, “essa autonomia nos permite explorar outras linguagens no ensino de História”. Entre elas, a das histórias em quadrinho, que por meio de projetos de ensino têm aproximado os estudantes dessas narrativas, sendo uma oportunidade de refletir criticamente a partir da arte e da história. O estudo, a partir do livro ‘Patrimônio HQ’ também, contempla a lei nº 10.639/2003, que inclui a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas do Brasil, o que garante aos estudantes o contato com narrativas reais e carregadas de valor sobre a herança cultural dos povos negros.
O CAp/UFU é uma instituição que tem como objetivo aplicar no ensino básico as práticas pedagógicas desenvolvidas na UFU, bem como oportunizar estágios na área da licenciatura para os estudantes da universidade. Assim, o currículo pode ser adequado a novas experimentações que possibilitem um ensino mais específico às necessidades dos alunos.
A inserção da obra ‘Patrimônio HQ’, entre os materiais de estudos das aulas de história, já havia sido idealizada por Luiz Rogério, desde o período de produção. Desenvolvido a partir da pesquisa de Mestrado do autor, intitulada: “Em que medida a história do bairro Patrimônio e as práticas culturais de seus moradores podem contribuir para a Educação das Relações Étnico-Raciais”, o livro já havia em seu interior a motivação de servir como ferramenta de pesquisa e apoio para professores da educação básica.
Na prática, a obra tem contribuído para novos formatos de aula. De acordo com o professor Chistian Alves, “os quadrinhos permitiram construir aulas sobre a rica cultura daquela localidade por meio de ações afirmativas que destacam a contribuição dos negros para o esporte e a música na cidade. Esse trabalho nos desvencilha de abordagens incompletas — como restringir o tema apenas à escravização no Brasil”.
Ele possibilita, também, a desconstrução de estereótipos sobre a população negra e amplia os conhecimentos dos estudantes sobre os processos históricos de exclusão e segregação. Para o autor Luiz Rogério: “O contato com ‘Patrimônio HQ’ significa para os estudantes uberlandenses ver a si mesmos, sua cidade e sua história representados com dignidade, arte e compromisso social, despertando neles o orgulho local, o senso crítico e o desejo de também serem protagonistas de suas próprias histórias.”
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Palavras-chave: patrimônio edufu educação Eseba
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