Publicado em 23/07/2026 às 09:08 - Atualizado em 23/07/2026 às 16:45
Após dois meses de encontros, representantes dos estudantes e da gestão superior da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) encerraram, na última segunda-feira (20/7), a mesa de negociação sobre uma pauta unificada com reivindicações relacionadas aos sete campi da instituição. O acordo reúne medidas já executadas, ações em implementação e propostas que passarão por estudos de viabilidade técnica, operacional e orçamentária.
As reuniões tiveram início após a Assembleia Geral dos Estudantes, realizada em 29 de maio de 2026, quando foi aprovado um indicativo de greve geral e a pauta foi encaminhada à administração superior, que instaurou a mesa de negociações. “Estamos abertos ao diálogo institucional e à construção coletiva de soluções para as demandas da comunidade universitária”, afirmou a vice-reitora da UFU, Catarina Azeredo.
“A mesa de negociação permitiu humanizar a gestão, que não é uma entidade à parte. Os alunos puderam escolher seus representantes e dialogar abertamente com a gestão superior da UFU. Nós também nos sentimos ouvidos, pois fazemos parte da mesma comunidade universitária. Pudemos olhar o orçamento, olhar as demandas, ver as pautas em comum. Nós queremos pensar juntos”, declarou Azeredo.
A pró-reitora de Assistência Estudantil (Proae), Luciana Saraiva, acompanhou todos os encontros e destacou a potência do movimento estudantil para a construção de um espaço de diálogo, escuta e construção coletiva: “Esse processo foi fundamental para estreitar a relação com os estudantes, compreender de forma mais aprofundada suas demandas e construir encaminhamentos conjuntos. Da mesma forma, os encontros possibilitaram apresentar as ações que a universidade já vem desenvolvendo e os desafios e potencialidades envolvidos em cada pauta.”
Diante do acordo, os estudantes comprometeram-se a não deflagrar o movimento grevista e a acompanhar a implementação das medidas acordadas por meio de encontros periódicos. “A mesa de negociação foi um movimento muito importante para a UFU para estabelecer esse diálogo entre a reitoria e o corpo estudantil. Em todos os anos que eu estou na UFU é a primeira vez que eu vejo algo desse aspecto acontecer”, destacou Thaila Luz, representante do Centro Acadêmico das Ciências Sociais (Cacis) da UFU.
“Mais do que um espaço de negociação, esses encontros reafirmam a importância do diálogo como ferramenta para construir uma universidade cada vez mais acolhedora, participativa e comprometida com sua comunidade acadêmica”, concluiu Saraiva.
Para a mesa de negociação, os estudantes elaboraram uma pauta de reivindicações e elegeram seus representantes entre integrantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e de coletivos, diretórios e centros acadêmicos da UFU. “Deixa de ser algo só de representantes de movimento estudantil e passa a ser algo mais conectado diretamente com os estudantes”, avaliou Luz.
Luz lamentou que esse diálogo tenha sido motivado pelo episódio em que uma aluna foi assediada no Campus Pontal. “É importante que essa mesa tenha acontecido, mas é uma pena que ela tenha acontecido neste momento”, refletiu. A estudante expressou o desejo de que o debate continue: “Não devemos ter uma mesa apenas para estabelecer aspectos básicos de infraestrutura, mas resolver outras demandas que são de extrema importância para que a UFU continue aberta e garantindo a permanência dos estudantes. É aproveitar esse espaço que a reitoria abriu pra gente para construir coisas boas coletivamente.”
Para o coordenador geral do DCE, Arthur Honório, o diálogo com a reitoria foi desafiador no início e vitorioso ao final. "O começo foi marcado por atritos necessários: tivemos entraves com o transporte para o congresso Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb), em Recife, pautas de segurança no campus, cortes orçamentários e a viabilidade do RU Todo Dia. Por isso, a atual gestão do DCE precisou organizar atos e manifestações para fazer a voz dos estudantes ser ouvida", lembrou.
"Foi muito bom que o processo evoluiu. Uma mesa de negociação foi instaurada a partir do nosso indicativo de greve e isso foi um divisor de águas. Tivemos reuniões decisivas com a pró-reitoria de Assistência Estudantil, a prefeitura do campus, a vice-reitora e a chefe de gabinete. Devemos destacar o compromisso dessas gestoras, que demonstraram escuta qualificada para o movimento estudantil", avaliou Honório.
Maria Cristina Sant Ana Lopes é presidente do Diretório Acadêmico Grande Otela (DAGO), do curso de Teatro, e participou da mesa ao ser indicada como representante pelo Conselho de DAs e CAs. Em sua perspectiva, mesmo no que se refere a reivindicações não atendidas, a equipe de gestão respondeu dúvidas e explicou cada ponto. “Foi muito bom perceber a vontade de toda a equipe da Gestão em encontrar um caminho para construir uma solução”, ponderou.
“Acredito que existe uma visão quase mística sobre a reitoria, uma entidade superior [...} Com a mesa [de negociação] e a possibilidade de conhecê-los pessoalmente, em especial a professora Catarina, isso humanizou a gestão e nos uniu em um objetivo em comum: a construção de uma universidade pública, gratuita e de qualidade para a comunidade acadêmica da UFU”, concluiu Lopes.
O termo do acordo firmado contempla uma série de compromissos institucionais relacionados aos sete campi da UFU. Há ações implantadas, em estudo e em andamento, bem como prazos específicos para cada uma das medidas. Conheça os principais pontos:
Todas as ações serão acompanhadas por representantes da gestão superior e do movimento estudantil, em reuniões periódicas de monitoramento. Os prazos variam conforme a natureza de cada medida, abrangendo desde ações já em execução até estudos com previsão de conclusão entre seis meses e dois anos.
O representante do DCE avaliou que os encaminhamentos foram benéficos para todos os segmentos da universidade. "O problema do orçamento não é só local, mas um drama já histórico enfrentado pelas federais desde o diminuição dos investimentos que aconteceu nos anos, após o REUNI de 2013. Professores, técnicos e estudantes estão no mesmo barco. Encerramos essa mesa de negociação, com a certeza de que é preciso coragem e articulação nacional para voltarmos a ter uma ciência e uma educação verdadeiramente valorizadas", concluiu Honório.
"Com o encerramento da mesa de negociação, gestão e estudantes reafirmam o compromisso de manter o diálogo institucional como instrumento para acompanhamento das demandas e construção de soluções para os sete campi", finalizou a vice-reitora da UFU.
Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU.
Palavras-chave: mesa de negociações Reitoria Movimento Estudantil DCE
Política de Cookies e Política de Privacidade
REDES SOCIAIS