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Saúde da Mulher

Pesquisa da UFU mapeia políticas de aleitamento materno em Uberlândia

“Iniciativa Município Amigo da Amamentação” analisou 54 indicadores e apresenta resultado em evento, no dia 9 de outubro.

Publicado em 01/10/2026 às 11:38 - Atualizado em 01/10/2026 às 17:40

Como estão as políticas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno em Uberlândia? 

Para responder a essa pergunta, pesquisadores do Grupo de Estudos em Saúde Materno-Infantil (GESMI), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), adaptaram para a realidade municipal uma ferramenta internacional de avaliação das políticas de amamentação. O trabalho resultou na Iniciativa Município Amigo da Amamentação (IMAA), que analisou a situação de Uberlândia, a partir de 54 indicadores distribuídos em oito áreas.

Os resultados apontam que o município alcançou 1,6 ponto, em uma escala de 0 a 3, sendo classificado como um ambiente moderado para a implementação de políticas e programas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. A avaliação identificou iniciativas já existentes no município, mas também apontou lacunas e recomendações para fortalecer as ações nos próximos anos.

Os resultados da pesquisa serão apresentados no Encontro Iniciativa Município Amigo da Amamentação – Uberlândia, que acontece na sexta-feira, 9/10,  das 8h30 às 12h, no Anfiteatro 5R-CD, no Campus Santa Mônica da UFU. O evento marca a última etapa do projeto e reunirá pesquisadores, profissionais da saúde, gestores e representantes das instituições que participaram da construção e aplicação da iniciativa.

A criação do IMAA

A aproximação da professora e pesquisadora Ana Elisa Madalena Rinaldi, coordenadora geral da pesquisa, com o tema do aleitamento materno começou ainda durante seu doutorado, realizado entre 2011 e 2015. Naquele período, ela analisou a trajetória dos indicadores de aleitamento materno no Brasil, desde a década de 1980 e continuou, posteriormente, investigando políticas públicas relacionadas à amamentação no Brasil e em outros países.

O interesse pelas políticas levou a pesquisadora a conhecer a iniciativa internacional Becoming Breastfeeding Friendly (BBF), desenvolvida por pesquisadores da Yale School of Public Health. A ferramenta foi criada para avaliar a capacidade de países de implementar políticas, programas e ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno.

Segundo Ana Elisa, surgiu então a possibilidade de adaptar a proposta para uma escala mais próxima da realidade em que a equipe atuava.

“Eu posso trazer melhorias para o município, que é onde eu estou, é onde eu posso colaborar, porque eu estou próxima a essas pessoas.” comenta a coordenadora da pesquisa. 

A adaptação foi realizada em parceria com a pesquisadora Gabriela Buccini, da University of Nevada, Las Vegas (UNLV), e com autorização do pesquisador responsável pela ferramenta original, Rafael Pérez-Escamilla. O processo envolveu tradução, reuniões de especialistas e adequações da metodologia ao contexto brasileiro e municipal. A ferramenta passou, então, a ser chamada de Iniciativa Município Amigo da Amamentação.

Para Ana Elisa, olhar para o município é importante porque muitas das políticas e programas relacionados ao aleitamento dependem justamente da implementação local. “Trazer para o nível municipal é muito mais perto da gente.”

 

 A avaliação de Uberlândia foi realizada por um comitê formado por profissionais e pesquisadores envolvidos com a temática. O estudo foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). (Foto: Milton Santos)
A avaliação de Uberlândia foi realizada por um comitê formado por profissionais e pesquisadores envolvidos com a temática. O estudo foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). (Foto: Milton Santos)
O que a pesquisa encontrou

A IMAA avaliou oito dimensões, chamadas de “engrenagens”: advocacy; vontade política; legislação e políticas; financiamento e recursos; treinamento e entrega de programas; promoção; pesquisa e avaliação; e coordenação, metas e monitoramento.

Para Ana Elisa, o resultado que mais chama atenção é a Coordenação que ocupa uma posição central na lógica da ferramenta. A proposta da BBF utiliza a ideia de um conjunto de engrenagens que precisam funcionar de maneira articulada para que as políticas de aleitamento avancem. “A coordenação é a engrenagem que está no centro, porque, de certa forma, ela articula todas as outras. E é a que está mais frágil.” comenta a professora. 

A pesquisa identificou, por exemplo, que Uberlândia possui iniciativas relacionadas à amamentação, como o Programa Mãe Uberlândia, campanhas do Agosto Dourado e a atuação do Banco de Leite Humano do Hospital de Clínicas da UFU. Também foram identificadas legislações municipais relacionadas à pauta e manifestações de representantes do poder público em defesa do aleitamento materno.

Ao mesmo tempo, a avaliação apontou a ausência de um plano municipal específico de amamentação ou da inclusão do tema no Plano Municipal de Saúde, além da inexistência, até o momento da avaliação, de hospitais do município credenciados como Hospital Amigo da Criança (IHAC).

Outro desafio identificado está relacionado ao financiamento. Embora existam recursos destinados a ações que contemplam o aleitamento materno, a pesquisa aponta que não é possível especificar quanto é efetivamente destinado à pauta. Também não há, atualmente, um cargo governamental financiado exclusivamente para trabalhar com a proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno no município.

Por que falar sobre aleitamento materno?

Além das políticas públicas, a pesquisa parte da importância do aleitamento para a saúde das mães e das crianças. Entre os benefícios estão a redução de riscos relacionados a doenças infecciosas, desnutrição e algumas doenças crônicas, além da associação com a prevenção do câncer de mama em pessoas que amamentam.

Ana Elisa também destaca que os efeitos ultrapassam a relação entre mãe e bebê. Para a pesquisadora, os benefícios relacionados ao desenvolvimento infantil  produzem impactos para a sociedade.

A questão ambiental também faz parte desse debate. A produção e o uso de fórmulas infantis envolvem, entre outros aspectos, a utilização de embalagens, água e outros recursos necessários para o preparo e a higienização dos utensílios. Por isso, discutir o aleitamento materno também significa discutir saúde, políticas públicas, comunicação, sustentabilidade e desenvolvimento social.

Resultados serão apresentados na UFU

O Encontro Iniciativa Município Amigo da Amamentação – Uberlândia será realizado no dia 9 de outubro, na UFU, e apresentará os resultados da avaliação, além das recomendações elaboradas a partir do trabalho do comitê.

A expectativa é que o encontro também fortaleça a aproximação entre universidade, gestão pública, profissionais de saúde e sociedade civil para a continuidade das ações.

Para Ana Elisa, esse envolvimento coletivo é um dos aspectos fundamentais da experiência. A pesquisa não foi construída apenas dentro da universidade: profissionais e representantes de diferentes setores participaram do processo de avaliação.

Ao final, o objetivo é que os resultados não permaneçam restritos ao relatório da pesquisa, mas possam servir como instrumento para identificar prioridades, fortalecer iniciativas existentes e orientar novas ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno em Uberlândia. A equipe do GESMI prevê acompanhar as recomendações e realizar novas pesquisas e avaliações futuramente.

 

Encontro Iniciativa Município Amigo da Amamentação – Uberlândia

Data: 9 de outubro de 2026

Horário: 8h30 às 12h

Local: Anfiteatro 5R-CD – Campus Santa Mônica, UFU 

 

Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU. 

 

Palavras-chave: Amamentação Saúde da Mulher Evento bebê

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