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25/07/2019 - 17:00 - Atualizado em 02/08/2019 - 16:05
Gênero e sexualidade nas escolas
Como o debate acadêmico contribui para a formação de professores que precisam abordar esses temas com crianças e adolescentes
Por: 
Gabriela Francis

 

 

Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) são desenvolvidas pesquisas no campo de gênero e sexualidade, a fim de produzir conhecimento acerca do tema. Uma iniciativa que contribui nesse aspecto é o Grupo de Estudos Gênero, Corpo, Sexualidade e Educação (GPECS), com especial enfoque para a formação de professores e o ensino de Ciências e Biologia.

O GPECS teve início em 2012, coordenado pela professora Elenita Pinheiro, da Faculdade de Educação (Faced), em conjunto com a professora Ana Maria de Oliveira Cunha, do Instituto de Biologia (Inbio), ambas professoras do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED). O grupo é composto por professores da educação básica, mestrandos, doutorandos e estudantes de graduação com orientação em iniciação científica e trabalhos de conclusão de curso (TCCs). 

Como produtos acadêmicos resultantes de suas atividades, o grupo tem dissertações, teses, TCCs, relatórios de iniciação científica, além de artigos, capítulos de livros e periódicos. Outro tipo de produto que desenvolvem são textos para divulgação em jornais e televisão. “Também temos uma parceria com outros grupos de pesquisa em âmbito nacional e internacional”, comenta Pinheiro. Essa articulação lhes permitiu organizar um curso de extensão de formação continuada de professores, que é aberto também a profissionais da saúde, estudantes de graduação de qualquer curso, professores da educação básica e do ensino superior. 

O grupo tem reuniões quinzenais em que são discutidos conceitos, teorias e metodologias de pesquisa. Além disso, são desenvolvidas atividades de extensão, participação em eventos, projetos com o financiamento do CNPq e em parceria com outros grupos e livros voltados para professores de educação básica. De acordo com Pinheiro, um número significativo dos mestrandos e doutorandos do grupo são professores da educação básica, então, toda a produção dos materiais chegam por meio desses estudantes até as escolas.

Na capacitação de professores, uma das preocupações abordadas no grupo é como tratar as questões de sexo e gênero com crianças nas escolas. Tendo em vista que o mais importante é manter as crianças protegidas de possíveis violências contra os seus corpos, o grupo visa esclarecer com os professores conceitos como sexo, sexualidade, corpo e gênero, e como todas as pessoas podem viver cada uma dessas dimensões respeitando as vivências alheias.

As pesquisas realizadas no grupo têm contribuído para ampliar a discussão sobre corpo, gênero e sexualidade em educação em ciências. “Temos buscado a compreensão do quanto o conhecimento biológico contribui para a constituição desses conceitos. Com o debate, nós identificamos que são poucas as pesquisas feitas nesse entrelaçamento entre a educação em ciências, especialmente o corpo de conhecimento biológico, o conhecimento escolar das ciências, com o campo dos estudos de gêneros”, explica a professora. 

 

Ideologia de gênero existe?

Um debate que emerge fortemente no Brasil, a partir de 2015, entre pais e professores é a respeito do que é estudado nas escolas quando o tema é educação sexual. A expressão "ideologia de gênero" é usada pelos críticos da ideia de que os gêneros são, na realidade, construções sociais. 

De acordo com Elenita Pinheiro, o termo “ideologia de gênero” vem sendo utilizado por setores da sociedade que, por meio dessa expressão, equivocadamente, difundem temor e pânico, ao invés de levar conhecimento e elucidar os modos como somos transformados em homens e mulheres. “O que houve foi uma apropriação e uma onda de ataques aos estudos de gênero e aos movimentos sociais de minorias. Acreditamos que podemos viver relações horizontais de poder entre todos, onde não tenhamos homens determinando vidas de mulheres, e sim se relacionando com mulheres”, enfatiza a professora. 

O campo de estudos de gênero e sexualidade vai mostrar quando, onde, porquê e o modo como as pessoas vivem o seu próprio corpo, desejos e experiências afetivas e sexuais. “Ao mergulharmos nesse campo, identificamos que não há uma única forma de experimentar o desejo ou de viver o corpo; há, na verdade, uma multiplicidade de formas de viver essas experiências”, afirma Pinheiro. 

 

Grupo de Estudos Gênero, Corpo, Sexualidade e Educação (Foto: arquivo da pesquisadora)

 

No entanto, a pesquisadora explica que, em sociedades ocidentais, foi estabelecida a heterossexualidade como a única norma a ser seguida e, ao fazer isso, grande parte da sociedade é tida como inválida ou anormal. “A grande questão não é admitirmos que existem experiências diversas, mas sim que, quando essas outras experiências são violadas, as pessoas que as vivem se tornam alvo de violência”, enfatiza a pesquisadora.

Pesquisas como as desenvolvidas no grupo GPECS conseguem desmistificar produções e termos como “ideologia de gênero”. A pesquisadora em educação considera que, ao debatermos e discutirmos sobre como vivemos e nos tornamos humanos, como somos generificados e atribuímos valores às nossas experiências sexuais, conseguimos elucidar modos de combate à violência sofrida por mulheres de forma geral e por LGBTs. “Se educamos as pessoas para admitir e respeitar as diferenças, apostamos em uma vida com menor índice de violência”, explica. 

Muitas vezes crianças ou adolescentes não sabem identificar um abuso ou uma violência sexual porque não foram devidamente educados; pelo contrário, foram instruídos a não falar sobre isso. Pinheiro afirma que é necessária uma linguagem adequada, porém, verdadeira para tratar desses assuntos e que os ensinamentos pertencem muito mais ao campo de conhecimentos históricos, políticos e acadêmicos do que a práticas sexuais. “Para nós, é importante que as crianças sejam capazes de autodefesa, de compreender que quanto mais elas souberem do corpo delas e respeitarem a si mesmas e aos outros, mais elas estarão educadas para uma sexualidade saudável, longe de processos de violência”, finaliza Pinheiro.  

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