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18/10/2022 - 15:29 - Atualizado em 20/10/2022 - 09:15
Onde estão as pessoas trans nas campanhas 'Outubro Rosa' e 'Novembro Azul'?
Episódio #69 do podcast 'Ciência ao Pé do Ouvido' fala sobre câncer de mama e de próstata e como as ações de prevenção podem ser mais inclusivas
Por: 
Diélen Borges

 

Episódio está disponível nas principais plataformas de podcast. (Arte: Viviane Aiko)

 

Durante os meses "Outubro Rosa" e "Novembro Azul", campanhas de conscientização de diferentes grupos e organizações incentivam mulheres a observarem suas mamas e homens a fazerem o exame de próstata. Mas será que essas campanhas incluem a pluralidade de corpos, como os das pessoas trans, que são aquelas cuja identidade de gênero transcende as definições convencionais de sexualidade?

“Nossos corpos, de pessoas trans, não são retratados durante as campanhas. Elas são pensadas para pessoas cis [que se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao nascer]. Quando a gente vê uma campanha de 'Outubro Rosa', são mulheres cis que estão ali fazendo o autoexame. Quando a gente vê campanhas de 'Novembro Azul', a gente vê que são homens cis que estão ali falando sobre procurar um médico para fazer o exame de próstata sem que isso seja um tabu na vida da pessoa”, afirma o estudante Zyon Garcia, do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que é um homem trans.

A bióloga Lucy Gomes de Souza, formada pela UFU e, atualmente, professora na Faculdade Estácio do Amazonas e na Universidade Federal do Amazonas, é uma mulher trans e conta que já sofreu transfobia ao buscar atendimento médico para tratar uma infecção na próstata. “[O urologista] precisava só atender a minha próstata, mas ele quis invalidar meu gênero. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Da mesma forma que se eu fosse a um cardiologista, independente do meu gênero, ele tem que cuidar do meu coração”, explica Souza. “Essas datas de conscientização podem ser mais inclusivas quando a gente foca nas pessoas portadoras dos órgãos, e não no gênero dessas pessoas”, afirma a bióloga.

A UFU tem o Centro de Referência e Assistência Integral para a Saúde Transespecífica (Craist). A ginecologista e obstetra Camila Toffoli Ribeiro, que atua nesse centro, diz que é extremamente importante que as mulheres trans se sintam acolhidas no "Outubro Rosa", porque há riscos específicos. “As mulheres trans fazem o uso de estrogênio, e muitas vezes também de progesterona, e esses hormônios tendem a elevar o risco das mulheres trans de ter câncer, com relação a homens cis”, explica Ribeiro. 

De acordo com a médica, é recomendado que as mulheres trans que fazem hormonioterapia sigam os protocolos habituais de rastreio do câncer de mama. No Brasil, conforme a Sociedade Brasileira de Mastologia e as Associações de Ginecologia e Obstetrícia, esse rastreio começa com mamografias a partir dos 40 anos de idade. O Ministério da Saúde indica o rastreio a partir de 50 anos. O mesmo vale para homens trans, principalmente os que não fizeram mastectomia (cirurgia de remoção das mamas).

Ribeiro salienta ainda que, nas mulheres trans, com ou sem cirurgia da genitália, a próstata é um órgão que é conservado; então, elas também têm que fazer o exame de próstata. “Vejam que é um contexto peculiar: elas têm que fazer o rastreio para o câncer de mama e, ao mesmo tempo, fazer o rastreio para o câncer de próstata; elas têm que ser incluídas em ambas as campanhas”. 

O exame de toque retal deve ser feito anualmente, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, a partir dos 45 anos, em pessoas com fatores de risco, ou 50 anos, em pessoas sem esses fatores. Ribeiro explica que o exame de Antígeno Prostático Específico (PSA) no sangue não substitui o toque retal e que esse índice pode ser “mascarado” pelo uso de hormonioterapia.

Se você quer saber mais sobre esses temas, ouça as entrevistas completas com Zyon Garcia, Lucy Gomes de Souza e Camila Toffoli Ribeiro no episódio #69 A saúde entre o rosa e o azul, do podcast "Ciência ao Pé do Ouvido", publicado nesta terça-feira (18/10). O programa também tem entrevistas com outros dois médicos do Hospital de Clínicas da UFU: o chefe do Serviço de Mastologia, Donizeti Willian Santos, e o chefe do Serviço de Cirurgia Geral e do Serviço de Cirurgia Oncológico, Paulo Henrique de Sousa Fernandes. Eles explicam o que é câncer e as formas de prevenção e tratamento.

O "Ciência ao Pé do Ouvido" é produzido pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social da UFU e está disponível nas principais plataformas de streaming: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music ou diretamente no Anchor.

 

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