Publicado em 26/02/2026 às 12:28 - Atualizado em 26/02/2026 às 12:51
O Museu Universitário de Arte (MUnA) inaugurou duas novas exposições que colocam em diálogo corpo, memória e política a partir de trajetórias distintas. Com entrada gratuita, estão em cartaz “Artista Galeria”, de Pedro Mandarino, com curadoria de Rizza Habita, e “No Canto Escuro da Praia do Lázaro – IIIº Ato”, de João Buson, com curadoria de Priscila Rampin.
Em “Artista Galeria”, Mandarino apresenta uma retrospectiva de um projeto iniciado no segundo semestre de 2018, estruturado a partir da premissa do conceito corpo-galeria. A noção funciona como eixo central da mostra, na qual o próprio corpo e suas vestimentas se configuram como suporte, meio e campo político. A exposição conta ainda com QR Codes para criar uma experiência interativa. Essa abordagem, desloca a atenção do produto final para o processo e trata a criação como prática contínua.
Ao tratar o fazer artístico como experiência permanente e atravessada pela vivência, a exposição estabelece diálogo pontual com proposições de Allan Kaprow e Joseph Beuys, sobretudo na aproximação entre arte e vida. Mandarino sintetiza essa perspectiva ao afirmar que “A ideia da exposição é que tudo é trabalho; o corpo e a voz fazem parte da construção das obras”. Para ele, essa posição assume caráter provocativo ao retirar a centralidade do resultado acabado e enfatizar ação, presença e percurso criativo. O artista declara ainda o interesse em instigar o visitante a rever suas leituras. “É uma forma de provocar essa conversa entre arte e trabalho.”, explica.
Já “No Canto Escuro da Praia do Lázaro – IIIº Ato” parte de uma experiência íntima para construir uma reflexão sobre memória, ancestralidade e espiritualidade. A mostra tem como ponto de partida a morte do tio do artista, Mauro Sérgio dos Santos da Cruz, em 1998, na Praia do Lázaro, em Ubatuba (SP), com versões divergentes registradas à época: uma que indica que amigos tentaram socorrê-lo após um possível afogamento e outra que relata que ele foi visto pela última vez com uma mulher na faixa de areia antes de desaparecer. Buson, que já investigava histórias familiares desde a graduação, afirma que trabalha com “lembranças das lembranças”, pois não chegou a conhecer o tio. Ao comentar o processo, explica que buscou transformar essa ausência em imagem. “Dar forma ao que sempre ficou na dúvida”, destaca.
A incerteza é trabalhada em xilogravuras e se articula ao conceito de “Águas de Kalunga”, de Conceição Evaristo, que compreende a água como travessia entre vivos e mortos. Ao se aproximar dessa noção, Buson aproxima sua investigação de uma dimensão ancestral e transcendente, ligada à tentativa de dar forma à ausência e ao indizível, aspecto que orienta suas escolhas visuais e conceituais. “A espiritualidade apareceu para mim como esse espaço de pertencimento”, detalha. Produzidas em dois meses com matrizes entalhadas manualmente e exibidas ao lado das impressões, as peças revelam o processo como elemento narrativo. A expografia, assinada por Aurélio Borim, utiliza trabalhos em pares e tecidos suspensos para criar uma dualidade entre peso e leveza, onde o balanço das obras evoca o movimento das ondas e do mar.
As exposições seguem abertas ao público no MUnA, com entrada gratuita, de terça a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados e domingos, das 13h às 17h. As mostras integram o calendário cultural da Universidade Federal de Uberlândia e podem ser visitadas até 4 de abril.
Palavras Chaves: Artes Visuais, Cultura, MUnA
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Palavras-chave: Artes Visuais cultura MUnA
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