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SÉRIE CONEXÕES COM ELAS

Empreendedorismo social conecta universidade e comunidade

Professora Márcia Freire atua na Enactus UFU e integra a formação acadêmica de estudantes com projetos de impacto social

Publicado em 20/03/2026 às 17:30 - Atualizado em 20/03/2026 às 18:02

Foto: arquivo pessoal

 

Professora e pesquisadora da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Federal de Uberlândia (Fagen/UFU), Márcia Freire construiu sua trajetória acadêmica entre estudos sobre pequenas empresas, inovação e empreendedorismo. Formada em Administração pela própria UFU, ela seguiu carreira na pesquisa e no ensino, com mestrado e doutorado na área de engenharia de produção e experiências acadêmicas no Brasil e no exterior.

Desde 2008 na universidade, Márcia também participa de diversas ações de extensão que conectam a formação acadêmica com demandas da sociedade. Entre elas, está a atuação na Enactus UFU, iniciativa que desenvolve projetos de empreendedorismo social em parceria com comunidades da cidade e coloca os estudantes no centro da tomada de decisões.

Nesta entrevista da série Conexões com Elas, Márcia Freire fala sobre sua trajetória, o significado da extensão universitária e o impacto de iniciativas que aproximam universidade e sociedade.

 

Você pode contar um pouco sobre a sua trajetória acadêmica e profissional?

Eu me formei em Administração aqui na UFU, em 1997. Depois trabalhei um pouco mais de um ano no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae, e fui fazer mestrado na Universidade de São Paulo (USP), no campus de São Carlos, no curso de Engenharia de Produção, mas sempre trabalhando com temas ligados às pequenas empresas e ao empreendedorismo.

 

Imagem de Márcia Freire, vestida de beca, entrando numa solenidade de formatura
Empreendedorismo social, inovação e pequenas empresas marcam a trajetória acadêmica e profissional de Márcia Freire. (Foto: arquivo pessoal)

Depois do mestrado, tive a oportunidade de estudar um tempo na França, por cerca de um ano e meio, em um curso equivalente a um mestrado na área de Administração. Quando voltei, fiz doutorado também na Engenharia de Produção, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), trabalhando com inovação e arranjos produtivos locais.

Durante o doutorado, atuei como professora substituta na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e, posteriormente, em outra instituição federal por um breve período. Em 2008, passei no concurso e ingressei na UFU, onde estou até hoje. Mais tarde, em 2012, também fiz um pós-doutorado na USP de Ribeirão Preto.

Desde então, meu trabalho tem sido muito voltado ao empreendedorismo, especialmente ao empreendedorismo social.

 

Como começou sua relação com a extensão universitária e com a Enactus?

Minha história com a Enactus começou por meio de um convite de uma aluna do curso de Administração. Eu já conhecia o projeto de ouvir falar, mas acompanhava de longe. Ela me convidou para atuar como professora conselheira do time e, quando a gente entra, muitas vezes nem sabe exatamente como tudo funciona. Vamos aprendendo com o tempo.

Comecei acompanhando mais diretamente o projeto Aroeiras, que trabalha com mulheres em situação de vulnerabilidade no bairro Shopping Park. Depois fui me envolvendo cada vez mais com o programa como um todo.

Algum tempo depois, o professor que coordenava institucionalmente a Enactus me convidou para assumir essa função. Hoje, eu atuo como coordenadora institucional e também como professora conselheira.

É um programa em que os estudantes têm muito protagonismo. Eles decidem quais projetos vão desenvolver, organizam as ações e gerenciam o funcionamento como se fosse uma empresa. Nosso papel é orientar, ajudar na tomada de decisões e acompanhar o desenvolvimento dos projetos.

 

Foto de grupo da Enactus UFU posando com as bandeiras do Brasil e da universidade
Enactus UFU desenvolve projetos empreendedores em comunidades de Uberlândia ao mesmo tempo que forma estudantes em liderança e inovação social. (Foto: arquivo pessoal)

 

O que a extensão universitária significa para você?

A extensão é uma oportunidade de sair um pouco da sala de aula. Isso é essencial tanto para o estudante quanto para o professor. Para os alunos, porque eles conseguem ver na prática aquilo que aprendem; e para nós, porque conseguimos enxergar de forma mais direta a contribuição da universidade para a sociedade.

Eu costumo dizer que a extensão traz um sentido muito grande para o nosso trabalho. A gente sai do escritório, da sala de aula, e vai para a comunidade. E ali percebe a contribuição da universidade e também aprende muito com as pessoas com quem trabalha.

No caso do projeto Aroeiras, por exemplo, a gente aprende muito com as mulheres que participam. Elas nos ensinam muito sobre resiliência e sobre a vida. É uma troca muito rica, porque aquilo que aprendemos ali também levamos para dentro da sala de aula.

 

De onde veio seu interesse por empreendedorismo e pequenas empresas?

Esse interesse começou ainda na graduação. Quando eu era estudante, fiz estágio no Sebrae e ali comecei a conhecer mais de perto a realidade das pequenas empresas.

Na época, os cursos de Administração falavam muito mais de grandes organizações. A literatura e as disciplinas eram muito voltadas para esse universo. O contato com o Sebrae me mostrou outra realidade.

Meu trabalho de conclusão de curso já foi nessa área e, quando fui fazer o mestrado, procurei continuar pesquisando pequenas empresas. Meu orientador também trabalhava com esse tema; então, foi um encaixe perfeito.

Depois, com o tempo, o empreendedorismo foi ganhando mais espaço dentro da universidade, principalmente a partir dos anos 2000. E quando a gente fala de empreendedorismo social, a motivação é ainda maior, porque não se trata apenas de lucro, mas principalmente do impacto que essas iniciativas podem gerar para a sociedade.

 

Quais desafios você observa para as mulheres nesse campo e no ambiente acadêmico?

Na academia, pessoalmente, eu não senti grandes dificuldades pelo fato de ser mulher. Mas a gente sabe que existem desafios.

Quando pensamos no empreendedorismo, por exemplo, muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades de acesso a financiamento ou até falta de credibilidade. Há relatos de situações em que fornecedores preferem negociar com o marido em vez de falar diretamente com a mulher que está à frente da empresa.

Também existe a questão de conciliar a carreira com a vida pessoal e familiar. Para muitas mulheres pesquisadoras, especialmente durante a gravidez ou quando têm filhos pequenos, isso pode pesar bastante na jornada profissional.

Em algumas áreas mais técnicas, como engenharia ou computação, ainda vemos um número menor de mulheres. Já na Administração, a presença costuma ser mais equilibrada.

 

E quem é a Márcia fora da universidade?

Quando eu era mais nova, fiz balé durante muitos anos, desde a adolescência até o início da faculdade. Eu gostava muito de dançar e cheguei a participar de apresentações e viagens com o grupo.

Imagem em preto e branco de uma apresentação de dança
Márcia Freire nutre gosto pela dança desde a adolescência. (Foto: arquivo pessoal)

Hoje em dia, não danço mais, mas tento manter alguma atividade física. Faço musculação algumas vezes por semana. Também gosto muito de ler, de viajar e de estar com a minha família e com os amigos.

Eu procuro manter amizades antigas, desde a época da escola e da faculdade. Sempre que dá, tento encontrar essas pessoas, tomar um café, conversar. Acho importante preservar essas relações.

 

Quando você olha para sua trajetória hoje, do que mais se orgulha?

Quando a gente para e pensa, percebe quanta coisa já fez, ao longo da vida. Eu sinto que consegui conquistar muitas das coisas que queria, tanto no âmbito pessoal quanto profissional.

Estar na universidade tem um significado especial para mim. Eu sempre estudei em escola pública e tive bolsas durante a minha formação; no mestrado, no doutorado, quando fui estudar na França e também no pós-doutorado.

Então, poder trabalhar hoje em uma universidade pública e contribuir de alguma forma para a sociedade é algo que me deixa muito orgulhosa. É como se fosse uma forma de devolver tudo aquilo que eu recebi, ao longo da minha trajetória.

 

 

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Palavras-chave: Série Conexão com Elas UFU extensão PROEXC Mulheres

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