Pular para o conteúdo principal
Cultura

Grupo de pesquisa sediado na UFU promove exposição em galeria da UFG

Com curadoria de Marina Cerchiaro, mostra ‘O silêncio e o refúgio: subjetividades femininas’ reúne obras de cinco artistas contemporâneas para investigar as relações entre corpo, silêncio e espaço doméstico a partir de perspectivas feministas

Publicado em 27/05/2026 às 17:07 - Atualizado em 28/05/2026 às 14:06

Obra 'Azul Vidrado', de Marcia Bianchi. (Imagem: divulgação)

 

Entre os dias 29 de maio e 3 de julho, a Galeria da Faculdade de Artes Visuais (FAV), na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, recebe a exposição “O silêncio e o refúgio: subjetividades femininas”, que reúne 11 obras das artistas Gabriela De Laurentiis, Marcia Bianchi, Mariana Cortes, Raisa Maria e Tatiana Ferraz. Sob a curadoria de Marina Cerchiaro, a mostra utiliza múltiplas linguagens artísticas – como vídeo, fotografia, instalação, performance, escultura e cerâmica – com o objetivo de debater o espaço doméstico e o silêncio a partir de perspectivas feministas, propondo uma reflexão sobre o silêncio não como passividade, mas como uma dimensão complexa de resistência, cuidado e agenciamento político das mulheres.

A mostra se destaca por subverter a visão tradicional sobre o silêncio. Em vez de ser retratado como passividade ou ausência, ele é apresentado como uma dimensão complexa das experiências femininas – um espaço de cuidado, sobrevivência, escuta de si e resistência infrapolítica. Com base em teóricas decoloniais como Maria Logones e Maria Lazreg, a curadoria propõe pensar as mulheres em condição de silêncio como agentes ativas, destacando que a ausência da voz pública não significa a inexistência de diálogo ou ação. Na exposição, esse silêncio estratégico surge, por exemplo, no vídeo-performance “As sereias não cantaram”, de Gabriela De Laurentiis, como uma arma diante da recusa masculina à escuta do feminino.

As obras também investigam a conexão profunda entre o corpo e a natureza, além de debaterem as ambiguidades do espaço doméstico. O corpo feminino e meio natural aparecem entrelaçados em trabalhos como “Ensimesmamento”, de Mariana Cortes, e “Fragmentos amorosos”, de Gabriela De Laurentiis, invocando diálogos íntimos com o próprio corpo e funcionando como lugares de proteção, refúgio e cura. A ideia de refúgio também é abordada como uma travessia transformadora e lírica em “O azul vidrado”, de Marcia Bianchi.

Por outro lado, dialogando com o conceito clássico de Virginia Woolf sobre a necessidade de as mulheres terem um “teto todo seu” para criar, as artistas Tatiana Ferraz e Raisa Maria mostram as contradições do lar. Suas obras revelam que a casa pode ser tanto abrigo quanto cárcere, explicitando os perigos a que as mulheres estão sujeitas nos espaços privado e público. Para tensionar essas violências e fragilidades, Raisa propõe uma casa desmontável, enquanto Tatiana concebe habitações com espinhos e estruturas cortantes, aludindo aos perigos a que as mulheres estão sujeitas tanto no espaço privado quanto público. Assim como o silêncio, a casa pode ser para as mulheres tanto refúgio quanto cárcere.

 

Obra de Tatiana Ferraz
Tatiana Ferraz concebe casas com espinhos ou estruturas cortantes, aludindo aos perigos a que as mulheres estão sujeitas tanto no espaço privado quanto público. (Foto: Roberto Chacur)

 

Em cartaz na Galeria da Faculdade de Artes Visuais (FAV), no Campus Samambaia da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, com entrada gratuita, a exposição pretende ampliar os debates sobre gênero e espacialidades. Segundo a curadora Marina Cerchiaro, o objetivo final é trazer a relevância de agenciamentos menos visíveis, subjetivos e poéticos, capazes de destacar o verdadeiro poder de resiliência e a força das mulheres. Informações adicionais e contatos com a organização podem ser obtidos pelo telefone (62) 3521-1445.

 

Sobre a mostra

O projeto da exposição “O silêncio e o refúgio: subjetividades femininas” foi contemplado pelo Edital da Galeria da FAV - UFG em 2025 e faz parte das atividades desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa “O Espaço Delas: mulheres artistas que atuam no campo tridimensional” (CNPq), sediado no Instituto de Artes da Universidade Federal de Uberlândia (Iarte/UFU), com liderança das professoras Tatiana Sampaio Ferraz (UFU) e Marina Mazze Cerchiaro (Universidade de São Paulo).

O grupo reúne pesquisadoras, artistas e docentes vinculadas a diferentes instituições brasileiras. Ao aproximar produção artística e pesquisa acadêmica, a mostra propõe um diálogo entre arte contemporânea, feminismos e espacialidades, ampliando debates sobre subjetividade, cuidado, memória e formas de existência elaboradas a partir das experiências das mulheres. 

 

 

Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU.

 

Palavras-chave: Exposição mostra cultura arte O silêncio e o refúgio: subjetividades femininas IARTE UFU UFG

A11y