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Podcast

Como as redes sociais estão lucrando com nossa atenção e emoção?

'Ciência ao Pé do Ouvido' explica o que são o apodrecimento cerebral e as iscas de raiva na internet

Publicado em 25/08/2026 às 10:26 - Atualizado em 25/08/2026 às 10:32

(Ilustração: Thiago Henrique. Layout: Abrão Júnior)

As redes sociais produzem efeitos no comportamento humano que já têm até nome. Entre as últimas palavras do ano, eleitas pela Oxford University Press, estão as expressões brain rot, de 2024, e rage bait, de 2025. Em português, elas significam, respectivamente, apodrecimento cerebral e isca de raiva.

Brain rot descreve o impacto do consumo excessivo de conteúdos rápidos, superficiais e altamente estimulantes, como vídeos curtos. As consequências mais comuns são dificuldade de concentração e perda de pensamento crítico decorrente da rolagem infinita dos feeds de redes sociais.

Esses conteúdos ativam o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina, o neurotransmissor que regula esse sistema, motivação, prazer e humor. Eles treinam o cérebro para o imediatismo, podendo reduzir a capacidade de reflexão profunda e a tolerância ao tédio. Isso pode levar a quadros de estresse, ansiedade, cansaço mental e uma sensação de “zumbificação”, em que o indivíduo se distancia da realidade física.

Rage bait define conteúdos criados propositalmente para gerar irritação, por exemplo, vídeos de desperdício de comida, destruição de objetos caros ou postagens propositalmente misóginas e polêmicas. É uma estratégia para aumentar o engajamento, pois o ódio e a polêmica estimulam reações rápidas, como comentários e compartilhamentos.

A lógica por trás do brain rot e do rage bait se relaciona ao modelo de negócios das plataformas digitais, que são empresas focadas na geração de lucro por meio da retenção da atenção do usuário durante o maior tempo possível. De acordo com a pesquisadora Érica Mariosa, o engajamento gerado pelo ódio é frequentemente mais eficaz para as plataformas do que sentimentos positivos.

Mariosa é graduada em Relações Públicas, mestre em Divulgação Científica e Cultural e doutora em Multiunidades em Ensino de Ciências e Matemática. Ela destaca a importância da escolha dessas palavras do ano. "Quando a gente dá nome para uma coisa, dá luz para uma problemática que está na sociedade e precisa ser enfrentada", afirma.

Enquanto o brain rot diminui a nossa capacidade crítica, o rage bait se aproveita disso para nos tornar mais reativos, impulsivos e emocionalmente desgastados, explica a psicóloga Rafaela Meneses. “Crianças e adolescentes têm um risco maior com relação a alguns conteúdos da rede social, porque eles ainda não têm toda a maturidade emocional desenvolvida”, completa.

O enfrentamento desses problemas, segundo as especialistas, envolve soluções coletivas, como a regulamentação das mídias digitais e a responsabilização das plataformas de acordo com as leis já existentes, como o Estatuto da Criança e do Adolescente. As dicas individuais são redução do tempo de tela, busca por atividades ao ar livre, leitura e supervisão parental ativa.

As entrevistas completas com Mariosa e Meneses podem ser ouvidas no episódio “Rage bait e brain rot: o que a internet está fazendo com a gente?”, do podcast Ciência ao Pé do Ouvido, publicado nesta terça-feira (25/8) pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU). O programa está disponível abaixo e nas principais plataformas.

 

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Palavras-chave: podcast Divulgação Científica Ciência ao Pé do Ouvido rage bait brain rot iscas de raiva apodrecimento cerebral

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