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ASTRONOMIA

Físicos da UFU participam de descoberta de exoplaneta

Fenômeno de microlente gravitacional permite detectar astros por meio da distorção de luz

Publicado em 10/08/2026 às 14:09 - Atualizado em 10/08/2026 às 14:14

Exoplaneta é um planeta localizado fora do Sistema Solar que, na maioria dos casos, orbita outra estrela (Imagem: Banco de imagens/Canva)

Imagine um planeta com oito vezes a massa da Terra, com um frio congelante e orbitando uma estrela tão pequena e fraca que mal consegue emitir brilho. Esse é o cenário de um dos mais novos exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar) descobertos com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o KMT-2025-BLG-0912Lb. Localizado além da chamada linha de gelo de seu sistema estelar, onde a temperatura se torna baixa o suficiente para que seja possível a condensação de materiais, esse astro dificilmente seria identificado pelos métodos tradicionais de observação astronômica.

Mas se o planeta é escuro e sua estrela é fraca, como os cientistas conseguiram enxergá-lo? A resposta está na física e na capacidade da gravidade de curvar a luz. Utilizando uma técnica conhecida como microlente gravitacional, uma rede de astrônomos conseguiu avistar a existência deste e de outro exoplaneta (o KMT-2025-BLG-0811Lb). A campanha observacional foi coordenada pelo pesquisador Leandro de Almeida, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com colaboração de cientistas da UFU.

Fabrício Kalaki, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Física (PPGFIS/UFU) e coautor da descoberta, explica que a técnica funciona como uma lente de aumento cósmica. Quando uma estrela que está mais próxima passa na frente da outra mais distante, considerando a nossa linha de visão aqui da Terra, a gravidade da estrela em primeiro plano desvia e concentra parte da luz da estrela de fundo.

A diferença está quando há um planeta acompanhando essa estrela em primeiro plano. A gravidade dele causa uma alteração extra e muito rápida nesse pico de brilho. "O planeta pode ser frio, escuro e impossível de observar diretamente, mas sua massa ainda influencia a trajetória da luz da estrela ao fundo", destaca.

Diferente do método de trânsito, que procura por pequenas sombras quando um planeta passa na frente de sua estrela e funciona melhor para órbitas curtas, a microlente ajuda a encontrar astros mais distantes de seus sóis.

Comparativo dos métodos
Comparativo entre os métodos de microlente gravitacional e de trânsito (Imagens: Agência Espacial Europeia/Nasa/Adaptada)

Super-Terra ou um Mini-Netuno?

A técnica permitiu não apenas detectar o KMT-2025-BLG-0912Lb, mas também estimar suas características. Situado a uma distância equivalente a 80% do trajeto entre a Terra e o Sol, o exoplaneta orbita uma estrela anã de baixa massa, possivelmente uma anã marrom, um tipo de estrela incapaz de sustentar fusão nuclear intensa, o que faz ela ser menos brilhante.

Por conta do baixo brilho de sua estrela hospedeira, o planeta recebe pouquíssimo calor. Kalaki explica que devido à baixa temperatura na superfície dos planetas orbitando esse tipo de estrela, a possibilidade de vida nesses ambientes é menor.

A composição exata da descoberta ainda não foi possível ser detalhada. Com cerca de oito vezes a massa da Terra, o astro está em uma zona de transição astronômica. Ele pode ser tanto uma Super-Terra, maior e mais massivo que nosso planeta, predominantemente rochoso, ou um Mini-Netuno, que também possui tamanho ou massa intermediários, mas geralmente apresenta um núcleo sólido, formado por rochas e gelos, envolvido por uma camada mais espessa de gases, principalmente hidrogênio e hélio.

O monitoramento foi feito por meio da MicroFUN, uma rede de colaboração internacional que conecta telescópios ao redor do globo para acompanhar eventos gravitacionais contínuos. A contribuição da equipe da UFU, que, além de Kalaki, é composta pelo doutorando Christian Borges e pelo professor Altair Gomes Júnior, focou especificamente no KMT-2025-BLG-0912Lb. Parte essencial da observação foi capturada por eles usando o telescópio do Observatório do Pico dos Dias (OPD), localizado em Brazópolis, no sul de Minas Gerais.

Equipe analisando os dados
Equipe integra rede internacional de observação (Foto: Arquivo pessoal/Pesquisadores)

Para Kalaki, ter equipamentos de ponta no estado é um diferencial estratégico para a astronomia brasileira. "A localização do observatório é um fator que pode ser determinante para a observação de eventos astronômicos. A presença do OPD em Minas Gerais permite que pesquisadores do estado possam participar de campanhas relevantes", afirma.

Além do avanço científico de catalogar novos planetas, a pesquisa elucida a importância da educação superior. "Para a UFU, a participação na descoberta de um exoplaneta demonstra que a formação oferecida está diretamente integrada à pesquisa astrofísica de fronteira e a colaborações nacionais e internacionais", conclui o mestrando.

Os resultados que detalham as descobertas foram publicados no The Astronomical Journal, da Sociedade Astronômica Americana, e podem ser acessados aqui.

 

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Palavras-chave: descoberta exoplaneta microlente gravitacional Astronomia

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