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Economia

Uberlândia registra deflação de 0,15% em julho, puxada pela queda dos alimentos

Batata e tomate tiveram reduções superiores a 25% e contribuíram para a queda do nível médio de preços; cesta básica também recuou e ficou R$ 55,83 mais barata no mês

Publicado em 17/08/2026 às 09:55 - Atualizado em 17/08/2026 às 10:04

Batata e Tomate foram os principais responsáveis pela deflação em Uberlândia (Foto: Canva)

 

Uberlândia registrou deflação de 0,15% em julho de 2026, segundo o Índice de Preços ao Consumidor de Uberlândia (IPC-CEPES). O resultado significa que, na média, os preços dos produtos e serviços acompanhados pelo indicador apresentaram redução em relação a junho. A queda foi puxada principalmente pelos alimentos, com destaque para batata e tomate.

Em junho, o IPC-CEPES havia registrado inflação de 0,11%. Em julho do ano passado, a variação também havia sido positiva, de 0,10%. Com o resultado de julho deste ano, o índice acumula alta de 2,81% em 2026 e de 3,69% nos últimos 12 meses.

Os dados são do Boletim do Índice de Preços ao Consumidor de Uberlândia, produzido pelo Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-sociais (CEPES), vinculado ao Instituto de Economia e Relações Internacionais (IERI) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

A deflação foi determinada sobretudo pelo comportamento do grupo Alimentação e bebidas, que tem peso de 25,01% na composição do IPC-CEPES. Os preços do grupo recuaram 2,33% em julho, resultado que retirou 0,58 ponto percentual do índice geral e foi suficiente para compensar os aumentos registrados na maioria dos demais grupos pesquisados.

Alimentos compensam alta em sete grupos

A queda do custo de vida não foi generalizada. Dos nove grupos que compõem o IPC-CEPES, sete apresentaram aumento de preços em julho. Além de Alimentação e bebidas (-2,33%), apenas Vestuário (-0,60%) registrou variação negativa.

Entre os grupos que ficaram mais caros, a principal pressão veio de Habitação, com alta de 1,41% e impacto de 0,23 ponto percentual. Na sequência aparecem Comunicação (+0,70%), Educação (+0,63%), Saúde e cuidados pessoais (+0,52%), Transportes (+0,44%), Despesas pessoais (+0,35%) e Artigos de residência (+0,05%).

Dentro de Alimentação e bebidas, o destaque foi o item Tubérculos, raízes e legumes, que apresentou redução de 23,13% e impacto de -0,41 ponto percentual sobre o IPC. As frutas também ficaram mais baratas, com queda de 3,58%.

Batata e tomate ajudam a derrubar inflação

Entre os produtos pesquisados, a batata-inglesa ficou 34,12% mais barata em julho e retirou, sozinha, 0,23 ponto percentual do IPC-CEPES. O tomate caiu 25,27%, com impacto de -0,14 ponto percentual. Somados, os dois produtos retiraram 0,37 ponto percentual do indicador no mês.

Também foram registradas reduções nos preços da cenoura (-16,72%), banana-prata (-10,82%), maçã (-7,94%), óleo de soja (-6,58%) e café moído (-3,89%).

 

A comparação dos impactos ajuda a explicar o resultado do mês. Enquanto batata e tomate exerceram forte pressão para baixo, o aluguel residencial subiu 4,92% e acrescentou 0,25 ponto percentual ao IPC, constituindo a principal contribuição individual para a alta do indicador.

Além do aluguel, contribuíram para elevar o índice itens como gasolina (+0,75%), motocicleta (+4,69%) e serviços médicos (+3,66%). Entre as maiores variações percentuais positivas aparecem ainda hospitalização e cirurgia (+16,31%) e livro didático (+7,12%), embora o impacto de cada um desses itens sobre o índice geral tenha sido menor.

Cesta básica fica R$ 55,83 mais barata e compromete 45% do salário mínimo

A redução dos preços dos alimentos também apareceu no custo da Cesta Básica de Alimentos (CBA) de Uberlândia, calculada mensalmente pelo CEPES. Em julho, o conjunto de 13 produtos custou R$ 729,39, ante R$ 785,22 em junho. A diferença representa uma economia de R$ 55,83, com redução mensal de 7,11%.

Apesar da forte queda no mês, a cesta ainda está mais cara em períodos mais longos. O valor acumula alta de 5,86% em 2026 e de 4,88% nos últimos 12 meses. Em julho de 2025, a mesma cesta custava R$ 695,46.

Dos 13 produtos que compõem a CBA, 11 ficaram mais baratos em julho. Apenas pão (+0,70%) e leite (+0,44%) apresentaram aumento.

Mais uma vez, batata e tomate foram decisivos. Na cesta básica, o gasto mensal estimado com batata passou de R$ 57,54 para R$ 37,97, queda de 34%. O custo do tomate recuou de R$ 101,39 para R$ 74,47, redução de 26,55%. Juntos, os dois itens responderam por R$ 46,49 dos R$ 55,83 de redução observados no valor total da cesta, o equivalente a cerca de 83% da diferença entre junho e julho.

O comportamento desses produtos também evidencia como os preços podem variar significativamente ao longo do ano. Mesmo após cair 34% em julho, a batata acumula alta de 23,08% em 2026 e de 67,97% em 12 meses. Já o tomate, apesar da queda mensal de 26,55%, registra aumento de 20,92% no ano, mas está 13,26% mais barato que em julho de 2025.

Mesmo com a redução de julho, a aquisição da cesta básica correspondeu a 45% do salário mínimo oficial de R$ 1.621. Em junho, essa proporção era de 48,44%, e, em maio, havia chegado a 49,90%, maior percentual registrado em 2026 até então.

O CEPES também estima o chamado Salário Mínimo Necessário, calculado a partir do custo da alimentação e de outras despesas previstas para uma família composta por dois adultos e duas crianças — consideradas, para fins do cálculo, equivalentes ao consumo de três adultos.

Em julho, esse valor foi estimado em R$ 6.127,64, contra R$ 6.596,61 em junho. O salário mínimo oficial de R$ 1.621 correspondia, portanto, a 26,45% do valor considerado necessário pelo levantamento.

Inflação acumula 2,81% no ano

Com a deflação registrada em julho, o IPC-CEPES acumula alta de 2,81% nos sete primeiros meses de 2026. Entre os grupos, as maiores variações acumuladas no ano são observadas em Despesas pessoais (+4,71%), Habitação (+3,97%) e Transportes (+3,76%). Alimentação e bebidas acumula alta de 1,85%.

Nos últimos 12 meses, o IPC-CEPES registra variação de 3,69%. Os serviços, no entanto, acumulam aumento de 5,37%, acima do índice geral. Os bens semiduráveis avançaram 4,10% e os não duráveis, 3,31%, enquanto os bens duráveis apresentaram redução de 0,29% no período.

 

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Palavras-chave: inflação IPC-CEPES Cesta Básica de Alimentos CEPES

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