Publicado em 10/09/2026 às 12:21 - Atualizado em 10/09/2026 às 12:34
Geralmente a historiografia africana é reduzida pela história à colonização, à escravização e ao apartheid. Pouco se discute como se organizavam as sociedades africanas antes da chegada dos europeus.
Muito antes da colonização europeia, o continente africano é marcado por uma história africana de reis e rainhas e seus reinados. No entanto, essa narrativa envolve também a escravização no continente.
Engana-se quem acha que a escravização colonial é igual à pré-colonial. Elas apresentam suas diferenças e suas semelhanças. A escravização colonial é marcada por um genocídio, pela racialização e retirada forçada de milhões de africanos de suas terras para lugares desconhecidos.
Na escravização pré-colonial, a maioria dos escravizados eram adquiridos por meio de guerra, dívida, existia a servidão voluntária, entre outras formas. Nessa, os cidadãos escravizados não eram retirados de suas nações.
Existiam leis, em alguns reinos africanos, que regulamentavam a escravização, tendo nela, inclusive, a liberdade do escravizado reconhecida. No entanto, para aquela sociedade, o escravizado não era reconhecido como cidadão, como alguém que tem sua liberdade reconhecida não somente pela lei, mas também pelo corpo social.
A sociedade pré-colonial reconhece o escravizado como cidadão pela lei, porém, para o social essa cidadania era negada. Diferentemente da escravização colonial, que nega para além da cidadania a humanidade do escravizado. Na servidão pré-colonial a humanidade do cidadão escravizado não é negada, ele é reconhecido como ser humano pela sociedade, entretanto, é negado sua cidadania.
Contraditório pensarmos que uma comunidade que regulamenta a escravização por meio de leis, não reconhece aqueles que foram escravizados como cidadãos pertencentes a ela, já que essa narrativa é contada através daqueles que escravizaram e não sob a perspectiva daqueles que foram escravizados e sofreram na pele as marcas da escravização. Assim, quais são as máscaras que estão sob a escravização pré-colonial?
*Isabela Roque Tognetti é bacharel e discente da licenciatura em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Foi pesquisadora CNPq, ex-presidente da Chronos Empresa Júnior do Curso de História: Consultoria Educacional e Histórica e membro do Grupo de Pesquisa Estudos Negros. E-mail: isabela.tognetti@ufu.br
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Palavras-chave: Escravização Africa Cidadania história
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