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Sustentabilidade

Dia Mundial sem Carro

Pesquisador da UFU alerta sobre impactos gerados pela predominância do automóvel

Publicado em 22/09/2026 às 15:21 - Atualizado em 22/09/2026 às 15:29

Aumento do uso de veículos individuais gera impactos ambientais no município | Arte: Juniele MF

Comemorado anualmente em 22 de setembro, o Dia Mundial sem Carro é uma data que incentiva a redução do uso excessivo dos automóveis na rotina diária. Criada na França, em 1997, a comemoração surgiu como uma forma de conscientização sobre o aumento do consumo de combustíveis e o avanço da poluição atmosférica. O movimento ganhou adesão global e passou a integrar o calendário brasileiro em 2001.

A data faz parte da Semana Nacional do Trânsito, que acontece entre 18 e 25 de setembro, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Acompanhado da medida institucional, a campanha realiza em diversas cidades do país atividades que incentivam o uso de bicicletas, transporte público e caminhadas, com o intuito de mostrar que o carro nem sempre é a forma mais eficiente e sustentável de se locomover.
William Ferreira Rodrigues, professor do Instituto de Geografia, Geociências e Saúde Coletiva (IGESC) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), explica que a data é um momento de reflexão necessária para que se crie uma rede de consciência coletiva em defesa da mobilidade ativa e do transporte público.

Segundo dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 42,2% da população de Uberlândia utiliza o carro como o principal transporte, sendo o meio de deslocamento mais utilizado no município. 

Rodrigues explica que esse cenário reflete uma tendência global de preferência pelo transporte individual, impulsionada por incentivos fiscais e de financiamento para aquisição. Na avaliação do pesquisador, o veículo individual segue sendo visto pelo cidadão como uma alternativa de rapidez, conforto e autonomia no dia a dia.

Rodrigues destaca que, em 1995, Uberlândia contava com aproximadamente 110 mil veículos - uma proporção de um automóvel para cada quatro habitantes. Em julho de 2026, esse número saltou para cerca de 566 mil veículos, reduzindo a taxa de motorização para um veículo a cada 1,35 habitante. O pesquisador ainda ressalta que, nesse período, a população uberlandense cresceu 82% e a frota veicular disparou mais de 400%.

Ao analisar as consequências dessa predominância do automóvel, o professor aponta para diversos impactos na dinâmica da cidade: o crescimento de congestionamentos nos horários de pico, o aumento da poluição atmosférica, além do comprometimento da acessibilidade da caminhabilidade. Rodrigues alerta ainda para os riscos ambientais, como a crescente impermeabilização do solo, que agrava o problema de alagamentos e inundações durante momentos de intensas chuvas.

Para reverter esse quadro, o professor conta que a utilização do transporte público para grandes distâncias, a caminhada e o uso de bicicletas para curtas e médias distâncias são essenciais para a mudança. “Os desafios estão na pouca adesão da população a essas alternativas, principalmente considerando as poucas e restritas campanhas educativas existentes para conscientizar e incentivar uma mobilidade sustentável e inclusiva”, aponta.

Segundo Rodrigues, a universidade desempenha um papel essencial ao formar profissionais críticos e capacitados para promover ações de mobilidade sustentável e inclusiva. Para ele, as pesquisas acadêmicas são importantes por se dedicarem a diagnosticar e interpretar alternativas adequadas para a resolução dos problemas causados por uma “sociedade cada vez mais automobilística”.

Palavras-chave: sustentabilidade mobilidade urbana

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