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Podcast

Gêmeos digitais: entenda a tecnologia que conecta o mundo físico ao virtual e revoluciona da indústria à medicina

Ferramenta permite simular cenários reais com segurança e precisão, otimizando processos em áreas de alto risco e transformando treinamentos cirúrgicos

Publicado em 15/09/2026 às 08:19 - Atualizado em 15/09/2026 às 08:39

A área da saúde tem utilizado a tecnologia gêmeo digital com a representação 3D (Ilustração: Thiago Henrique/Layout: Abrão Junior)

O conceito de gêmeo digital pode lembrar um roteiro de ficção científica, mas já é uma realidade que transforma diversas áreas da sociedade. A tecnologia baseia-se na criação de uma realidade virtual interativa a partir da semelhança exata com uma real, seja uma simples peça de maquinário, um automóvel, uma cidade inteira ou até mesmo um órgão humano.

Para que o mecanismo funcione adequadamente, a correlação entre os dois mundos precisa ser constante e imediata. De acordo com Alexandre Cardoso, professor da Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Uberlândia (Feelt/UFU) e coordenador do Grupo de Realidade Virtual e Aumentada (GRVA/UFU), os dados são alimentados continuamente. “Na lógica de um gêmeo digital, quando eu mudo a sintonia de uma estação num rádio real, por exemplo, ela vai mudar no rádio virtual. Então há sensores colocados no real, que trazem o estado do real para o virtual”, explica. Da mesma forma, comandos e alterações simuladas no ambiente virtual podem refletir em ações no ambiente físico.

Uma das aplicações práticas de maior impacto dessa tecnologia ocorre no setor de energia, área frequentemente marcada por altos índices de periculosidade. Cardoso destaca que o trabalho humano em redes elétricas de até 500 mil volts apresenta riscos vitais extremos. Com o uso de plataformas virtuais e inteligência artificial, é possível prever falhas estruturais, estimar a fadiga de materiais e realizar manutenções a distância, sem expor os trabalhadores ao perigo do campo.

A área da saúde também tem utilizado a tecnologia com a representação 3D, embora os pesquisadores ainda enfrentem os desafios impostos pela particularidade da anatomia humana. A elaboração de gêmeos digitais de órgãos possibilita treinamentos cirúrgicos de alta complexidade e segurança. “Se eu tiver que fazer uma incisão para remover uma determinada região do teu órgão, onde tem um conjunto de células cancerígenas, se eu tenho isso primeiro representado no virtual e o nosso médico treina com o equipamento que atua no virtual, na hora da operação, o sucesso é muito mais garantido”, ressalta o professor.

O episódio #154 do podcast Ciência ao Pé do Ouvido convida a compreender como esse mecanismo funciona, quais são seus objetivos e limites, e como ele impacta o cotidiano. Durante a conversa, Cardoso ressalta que, apesar de parecer simples, a construção e o funcionamento dos gêmeos digitais envolvem dados complexos e metodologias rigorosas, servindo como um grande apoio à especialidade humana.

Você pode conferir o episódio nas principais plataformas de podcast e também aqui no portal Comunica UFU. O "Ciência ao Pé do Ouvido" é produzido pela Divisão de Divulgação Científica da Diretoria de Comunicação Social da UFU (Dirco/UFU) e conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

 

Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU.

Palavras-chave: gêmeo digital Tecnologia informática Internet podcast Ciência ao Pé do Ouvido

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