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Povos Indígenas

Palestras da Semana dos Povos Indígenas da UFU discutem ensino intercultural e formação docente

Atividades abordaram a aplicação da Lei nº 11.645/2008, a valorização dos conhecimentos indígenas e os desafios para incluir diferentes perspectivas históricas nas escolas brasileiras.

Publicado em 23/10/2026 às 17:22 - Atualizado em 23/10/2026 às 17:39

Arquivo Pessoal

A aprendizagem histórica intercultural e o ensino das histórias e culturas indígenas foram temas centrais das palestras realizadas no segundo dia da II Semana dos Povos Indígenas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), entre os dias 20 e 22 de outubro. As atividades discutiram a formação de professores, a aplicação da Lei nº 11.645/2008 e a importância de reconhecer os povos originários como protagonistas na produção do conhecimento histórico.

Na palestra “Aprendizagem histórica intercultural a partir dos contextos educacionais indígenas e não indígenas”, a professora na Universidade Federal de Catalão (UFCAT) Luciana Leite da Silva abordou como o contato com os povos indígenas pode transformar a compreensão da história e ampliar as perspectivas de mundo dentro e fora das escolas. Ao compartilhar sua trajetória como pesquisadora, ela destacou que a experiência também foi um processo de aprendizado.

“Como foi essa descoberta para mim de uma outra concepção de mundo, completamente plural, muito diferente da monotopia ocidental, a diversidade de línguas, de culturas, de pensar o mundo e nossa relação com ele, toda essa transformação que eu fui sentindo ao longo dessas experiências eu quis trazer para essa discussão também no contexto não indígena”, explicou.

A docente ressaltou que a educação intercultural não deve ser uma discussão restrita aos povos indígenas, mas também fazer parte da formação de pessoas não indígenas. Segundo ela, o contato com outras concepções históricas contribui para questionar perspectivas tradicionais e ampliar a compreensão sobre diferentes culturas e formas de interpretar o mundo. “Porque a gente tende muito a falar educação intercultural, pensamos nos povos indígenas, mas para nós talvez seja até mais impactante pensar a interculturalidade no ensino de história e que isso inclusive nos provoca uma releitura do que a gente considera ser história mesmo. Os indígenas trazem outras concepções de história”

Silva também apontou a formação docente e os currículos escolares como desafios para a consolidação desse processo. Ao comentar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ela defendeu a necessidade de buscar espaços para incluir outras perspectivas históricas nas disciplinas. “É preciso a gente estar rediscutindo e, enquanto não temos uma nova BNCC, procurar os interstícios que nos possibilita fazer essa discussão”, afirmou.

A implementação da Lei nº 11.645/2008 foi o tema da palestra “Pesquisar e Ensinar histórias e culturas indígenas: A Lei 11.645/08, as universidades e a educação brasileira”, ministrada pelo professor Roberto Mori. A legislação tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio.

Durante a apresentação, Mori destacou avanços na produção intelectual indígena, na elaboração de materiais didáticos e na abordagem das culturas originárias nas escolas. No entanto, ele ressaltou que ainda é necessário aproximar as pesquisas acadêmicas do conteúdo trabalhado em sala de aula.

“O material didático vem avançando, buscando ali mostrar algumas particularidades dos povos indígenas, mas o caminho ainda é longo. Ainda tem muito que ser feito e muito que é produzido na academia precisa ser incorporado nesses materiais didáticos que são a base do ensino nas escolas ”, afirmou.

O pesquisador também destacou o papel das universidades na preparação dos professores para trabalhar com as histórias e culturas indígenas. Entre as possibilidades, apontou a inclusão de disciplinas específicas nos cursos de formação docente e a oferta de formação continuada para educadores que já atuam na educação básica.

As duas palestras integraram a programação da II Semana dos Povos Indígenas, organizada pelo Instituto de História (Inhis), Arandu e lideranças indígenas. A iniciativa também contou com a participação de lideranças indígenas e buscou ampliar a visibilidade dos povos originários que vivem em contextos urbanos, especialmente no Triângulo Mineiro.

De acordo com Patrícia Nascimento, professora do Inhis/UFU e uma das organizadoras, a proposta desta edição foi valorizar as demandas das comunidades indígenas da região e ampliar o diálogo com a universidade. “Então, a gente pensou nessa edição para os povos indígenas daqui. Então, a gente está fazendo essa edição muito pensando em Uberlândia. Ontem [20/10]  foram as lideranças jovens, que inclusive são estudantes aqui da UFU, que estão ou na graduação ou no mestrado ou no doutorado", destacou.  

A professora também ressaltou a importância de envolver pessoas não indígenas nas discussões, uma vez que a educação intercultural contribui para questionar uma visão de mundo centrada na experiência europeia e reconhecer outras formas de existência e conhecimento. “É extremamente importante, porque a própria Lei 11.645/08, ela é pensada para não indígenas, para educar e fazer uma justiça histórica repensar a presença indígena na história do Brasil antes mesmo da invenção do próprio Brasil. Então, é importante que os não indígenas, eles aprendam também com as epistemologias, com a cosmologia, que a gente tenha essa essa esse diálogo para a gente descentrar essa visão muito eurocentrada do mundo”, explicou

Durante os três dias de evento, oficinas, rodas de conversas e palestras contaram com a apresentação e mediação de líderes indígenas da região e que também estudam na UFU.   

 

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Palavras-chave: História dos Povos Indígenas Povos Indígenas Museu dos Povos Indígenas INHIS

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