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CIÊNCIA

Pesquisa desenvolvida na UFU monitora sintomas da doença de Parkinson no ambiente domiciliar

Estudo utiliza sensores para captar as variações motoras na rotina dos pacientes e recruta voluntários com e sem a condição

Publicado em 14/04/2026 às 14:09 - Atualizado em 14/04/2026 às 15:45

Monitoramento é feito por meio de um equipamento semelhante a um relógio. (Foto: arquivo pessoal/pesquisadores)

 

O Núcleo de Inovação e Avaliação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal de Uberlândia (Niats/UFU) desenvolve diversos trabalhos voltados à pesquisa, formação e extensão relacionados às desordens do movimento. Um dos novos projetos do núcleo é o "Parkinson no Lar" (Parkinson@Home), uma iniciativa que vai além das barreiras do consultório médico para compreender a doença de Parkinson onde ela impacta os pacientes de forma mais contínua: dentro de suas próprias casas.

O estudo é conduzido no doutorado de Ariana Moura Cabral, pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica (PPGEB/UFU), sob orientação do professor Adriano de Oliveira Andrade e com coorientação de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha. A pesquisa integra uma rede de instituições de ensino e hospitais universitários de diferentes estados brasileiros e do exterior.

A principal inovação metodológica consiste em estender o monitoramento para além da observação laboratorial ou clínica. “A pesquisa entra no lar do indivíduo por meio do uso de sensores vestíveis que lembram um relógio, um smartwatch. Dessa forma, os sinais motores e sintomas associados à doença podem ser monitorados enquanto o indivíduo realiza normalmente suas atividades da vida diária”, explica Cabral.

Trata-se da primeira iniciativa no contexto brasileiro a avaliar os sintomas de forma contínua no ambiente domiciliar. O objetivo é quantificar mudanças motoras decorrentes do uso prolongado de medicação e compreender como a doença afeta a capacidade de realizar tarefas cotidianas.

 

A limitação do ambiente controlado

Atualmente, o acompanhamento neurológico padrão ocorre por meio de avaliações clínicas pontuais. De acordo com Cabral, esse modelo apresenta limitações significativas de representatividade. “O que se perde ao avaliar o paciente apenas em um ambiente controlado é a representatividade da doença no dia a dia, já que os sintomas manifestados durante a consulta de alguns minutos podem não refletir como a doença realmente se comporta”, detalha.

Fatores emocionais, como a ansiedade gerada pela presença do profissional de saúde, podem mascarar sinais importantes. Além disso, a intermitência de sintomas, como tremores e rigidez muscular, torna desafiador para o médico atestar a eficácia contínua do tratamento em um intervalo de 24 horas. Relatos dos próprios pacientes, embora essenciais, costumam ser subjetivos e dependentes da memória.

É nesse cenário que a validade do monitoramento domiciliar se destaca. “Diferentemente do ambiente controlado, a avaliação domiciliar permite captar as variações naturais dos sintomas em diferentes momentos do dia, em resposta a fatores como alimentação, medicação, estresse e atividade física”, ressalta a doutoranda. A ideia do projeto é que tecnologias de monitoramento contínuo cheguem ao Sistema Único de Saúde (SUS), viabilizando abordagens terapêuticas estritamente personalizadas e decisões clínicas mais objetivas.

 

Foto da pesquisa sendo realizada
Participantes sem a doença também são importantes para resultados da pesquisa. (Foto: arquivo pessoal/pesquisadores)
Chamada para voluntários

A etapa inicial de recrutamento e avaliação já está em andamento em Uberlândia. O protocolo do estudo prevê o acompanhamento dos participantes por aproximadamente um mês e meio. O processo envolve encontros clínicos pontuais para a avaliação da condição motora e cognitiva, somados ao uso dos dispositivos vestíveis na residência do participante.

A pesquisadora assegura que a intervenção é mínima. Os voluntários são orientados sobre os cuidados básicos com os sensores e contam com suporte técnico dos pesquisadores: "A ideia é que o participante utilize os sensores no dia a dia quase sem perceber que está usando, ou seja, não é esperado que o monitoramento interfira na rotina da pessoa".

Para que os resultados possuam rigor científico, o estudo necessita também de voluntários sem a condição de Parkinson. A inclusão de pessoas sem a doença é fundamental para estabelecer parâmetros comparativos. Segundo Cabral, esse grupo de referência permite aos cientistas discernir se as variações funcionais observadas são decorrentes do processo fisiológico de envelhecimento ou se caracterizam uma manifestação patológica exclusiva do Parkinson.

Os interessados em contribuir com a pesquisa devem preencher o formulário on-line ou entrar em contato diretamente com a equipe de pesquisa pelo e-mail arianacabral57@ufu.br. A participação no estudo é voluntária e o processo é acompanhado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da UFU.

 

 

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Palavras-chave: Parkinson pesquisa niats Ciência monitoramento

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