Publicado em 25/11/2025 às 13:56 - Atualizado em 04/12/2025 às 12:41
Durante os dias 22 a 26 de setembro aconteceu em Recife (PE), o XVI Congresso Brasileiro de Software: Teoria e Prática (CBSoft 2025), que premiou três trabalhos de estudantes do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), orientados pelo professor do Campus Uberlândia do IFTM Carlos Eduardo Carvalho Dantas, em parceria com o professor da Faculdade de Computação da Universidade Federal de Uberlândia (Facom/UFU) Marcelo de Almeida Maia, coordenador do Laboratório de Engenharia de Software Inteligente da Facom (iSEL).
Dantas terminou em 2025 seu doutorado pela Faculdade de Computação, oito anos após seu mestrado também na instituição. Nas duas ocasiões, foi orientado por Maia. Em parceria, os dois orientaram três estudantes do IFTM que foram premiados no Congresso Brasileiro de Software.
Os trabalhos dos estudantes Julyanara Rodrigues Silva, Giovanna Fernandes e Felipe Reis seguiram a mesma linha de pesquisa do iSEL. Cada um deles participou e foi premiado em um dos eventos satélites do congresso.
Rodrigues ganhou o prêmio de artigo destaque no IV Brazilian Workshop on Intelligent Software Engineering (ISE’25), com o trabalho intitulado "Do LLMs Suggest Consistent Identifiers? An Empirical Study on GitHub Pull Requests" ("Será que LLMs (Modelos de Linguagem em Grande Escala) sugerem identificadores consistentes? Um estudo experimental sobre pull requests do GitHub").
Rodrigues, 18 anos, é aluna do 3º ano do ensino médio no IFTM e começou a pesquisar no ano anterior, junto aos professores Dantas e Maia. Na ocasião, ela estudou o uso do ChatGPT pelos desenvolvedores devido ao alto crescimento do uso dessas ferramentas. “No 2° ano, o Carlos convidou a mim e ao Marcelo para a gente desenvolver o nosso primeiro artigo. Como a parceria deu muito certo, decidimos trabalhar esse ano juntos novamente. Neste novo artigo, decidimos seguir mais ou menos a mesma linhagem, mas focando em uma tarefa específica, que seria o melhoramento de identificadores e avaliar se essas ferramentas são capazes de fornecer nomes parecidos com o que os desenvolvedores já sugeriram”, explica a estudante.
Prestes a concluir esta fase da vida escolar, Rodrigues pretende seguir na área de pesquisa, agora na graduação, participando de congressos e desenvolvendo artigos científicos. “Foi uma experiência muito gratificante e enriquecedora. O contato com pesquisa, com certeza, me trouxe muito conhecimento necessário que vou precisar utilizar durante a universidade. Além disso, poder ter tido contato com profissionais que atuam há anos no ramo me fez ter mais certeza do que eu quero fazer e me apaixonar ainda mais pela área”, completa Rodrigues.
Giovanna Fernandes, por sua vez, participou do XXIII Workshop on Software Visualization, Evolution and Maintenance (VEM 2025) e foi premiada com o “artigo destaque”, pelo trabalho intitulado "How Readable Is LLM-Generated Code Snippets? A Comparison of ChatGPT, DeepSeek, and Gemini" ("Quão legíveis são os trechos de código gerados pelo LLM? Uma comparação entre ChatGPT, DeepSeek e Gemini").
Fernandes, 18 anos, também cursa o 3º ano do ensino médio, mas já está no primeiro período do Bacharelado em Sistema de Informação da UFU. A ideia de pesquisar veio no final do ano anterior para tentar aproveitar mais as oportunidades oferecidas pelo Instituto Federal. “No final do segundo ano comentei com o professor Carlos que iria procurar um orientador para pesquisa e ele disse que eu poderia procurá-lo para conversarmos sobre”, comenta.
Como ChatGPT era o tema de pesquisa da amiga Julyanara Rodrigues e do doutorado do professor Dantas, o artigo desenvolvido seguiu a mesma linha “Nós analisamos a legibilidade de Code Snippets (trechos de código) gerados pelo Chat GPT, DeepSeek e Gemini. Ou seja, o quão legível os códigos gerados por essas 3 IA's são e fazendo um comparativo entre eles”, explica Fernandes.
O último trabalho foi desenvolvido por Felipe Reis, atualmente engenheiro de software. Reis se formou em novembro de 2024 em Sistemas para Internet pelo IFTM. Intitulado "How Close Is ChatGPT to Developer Judgment? A Study on Stack Overflow Java Questions" ("Quão próximo o ChatGPT está do julgamento do desenvolvedor? Um estudo sobre perguntas de Java no Stack Overflow"), o estudo ficou com o 4º lugar entre os 26 trabalhos no Concurso de Iniciação Científica do XXXIX Simpósio Brasileiro de Engenharia de Software (SBES).
A pesquisa foi um desdobramento do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), sugerido pelo professor Dantas. “O trabalho foi uma derivação do meu TCC. Os professores Carlos e Marcelo brilhantemente perceberam que poderíamos adaptar o trabalho para concorrer a premiação no congresso. Nossa pesquisa trata-se de avaliar a acurácia (proximidade de um resultado com o seu valor de referência real) da LLM (GPT) na seleção de perguntas corretas de questões elaboradas na plataforma StackOverflow”, relata Reis.
De acordo com o professor do IFTM, as premiações não seriam possíveis sem sua parceria com o professor Marcelo Maia, da UFU. Os dois atuam de formas distintas; Maia funciona como uma espécie de “bússola” para os projetos: ele aponta caminhos e oportunidades, ajudando a enxergar o panorama maior da pesquisa. Dantas, por outro lado, faz parte do dia a dia dos alunos; como muitos deles nunca tiveram contato prévio com pesquisa, o docente explica desde o básico até como realizar um teste estatístico.
A UFU também reafirma seu compromisso com a comunidade externa da universidade. Apoiar alunos de outros institutos é também apoiar a ciência na cidade. O professor Maia vê que esse tipo de parceria é benéfica para todos os lados. “A UFU, como uma universidade de pesquisa consolidada com 46 programas de pós-graduação, é uma parceira fundamental para que o IFTM possa desenvolver suas pesquisas especialmente na cidade de Uberlândia. É uma parceria de mão dupla, pois ao mesmo tempo a nucleação dos grupos de pesquisa permite uma maior massa crítica comparado ao uma pesquisa individual”, expõe Maia.
O professor universitário ainda destaca a importância de projetos como esses com alunos ainda no ensino médio. De acordo com Maia, a pesquisa pode ter um potencial transformador na vida dos jovens, ainda mais quando conseguem desenvolver tão cedo trabalhos que concorrem com alunos de pós-graduação universitária de todo o país.
O Congresso Brasileiro de Software tem, em sua grande maioria, a presença de trabalhos desenvolvidos por estudantes de mestrado e doutorado universitário. Portanto, não existe uma categoria específica para os alunos do ensino médio e técnico, o que tornaria a concorrência mais difícil. “Só o fato de terem os artigos aprovados, já foi uma vitória gigantesca. São eventos com processo de revisão em pares, com taxas de aceitação no geral abaixo de 50%, e ver o trabalho deles reconhecido mostra que eles conseguem produzir pesquisas de qualidade, mesmo tão novos”, comemora Dantas.
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Palavras-chave: Premiação iniciação científica Parceria IFTM UFU Facom
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