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PESQUISA

Preservação de acervos especiais da UFU articulam memória e literatura em pesquisa de pós-doutorado

Coleção do escritor mineiro Geraldo França de Lima articula sua história de vida com autores europeus exilados no Brasil

Publicado em 22/07/2026 às 11:08 - Atualizado em 22/07/2026 às 13:20

Pesquisa foi apresentada no XIV Workshop Internacional em Ciência da Informação na UnB | Foto: Lucas Veras

Pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) desenvolveram uma pesquisa unindo as análises de Geraldo França de Lima, escritor araguarino que chegou a ser membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), sobre o escritor austríaco Stefan Zweig e o francês Georges Bernanos. Ambos se exilaram no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial fugindo da perseguição do regime nazista. 

Analisando a relação do autor mineiro com os escritores europeus, Geovane Melo, pesquisador em estágio pós-doutoral na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas na Universidade de São Paulo (USP) e servidor da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UFU, e Nelson Ferreira, bibliotecário documentalista do Sistema de Bibliotecas (Sisbi/UFU), mobilizaram o acervo da própria universidade para compreender as marcas e os rastros do exílio imposto pelo nazismo.

Para o estudo, foi utilizada a Coleção Especial Geraldo França de Lima. Melo explica que seu mestrado e doutorado na área de Estudos Literários, feitos na UFU sob orientação de Kênia Maria Pereira, já abordavam o autor Stefan Zweig; que é judeu, foi exilado no Brasil e se suicidou em Petrópolis (RJ) por causa da perseguição nazista. Durante a defesa da tese de doutorado, Leonardo Soares, professor do Instituto de Letras e Linguística (Ileel/UFU), sugeriu a coleção para o desenvolvimento do estudo, foi quando ela se tornou o objeto da pesquisa.

Ao descobrir a existência e o arquivamento dessa coleção especial, o pesquisador entrou em contato com Ferreira, encarregado de registrar os documentos necessários para o trabalho na biblioteca da UFU. “A gente se encontrou, porque já éramos amigos e ele precisava da coleção que era acervada na biblioteca da UFU desde 2018. Nesse acervo, além dos livros, também têm indumentários, roupas, a máquina de escrever e vários outros elementos da trajetória de vida do Geraldo França de Lima, inclusive medalhas”, explica o bibliotecário. 

De acordo com Ferreira, a coleção é um registro que foge do padrão porque busca encontrar vestígios de tudo aquilo que grandes personalidades fizeram durante a vida. O arquivamento, tema fundamental da pesquisa, se dá a partir das inscrições em obras, tanto da própria pessoa, como de pessoas que estão sendo pesquisadas, que é o caso, por exemplo, de Bernanos e Zweig.

Os servidores apresentaram seus estudos no XIV Workshop Internacional em Ciência da Informação, realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília (PPGCINF/UnB). “Nossa experiência lá, tanto no evento como na visita à biblioteca da UnB, é uma forma de estreitar os laços. Quando olhamos para a nossa realidade aqui na UFU, temos alguns elementos que estão bem avançados e que inspiram outras pessoas. Então, a gente começa a perceber que podemos fazer algumas coisas similares a eles também”, destaca Ferreira.

Para os dois pesquisadores, a visita à UnB e a troca de experiências são fundamentais para que eles obtenham realidades novas para seus trabalhos e reforcem a natureza interdisciplinar da pesquisa. “A gente tem a ciência hoje muito cartesiana. Então, cada campo de pesquisa não conversa muito, sequer com o seu próprio campo, porque têm várias especificidades e você fica preso em uma. Acho que esse é um mérito, nosso estudo tem como um outro alicerce a interdisciplinaridade”, finaliza Melo.

 

"Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria"  - Jorge Luis Borges, Poema dos Dons.

 

Ao articular memória, literatura e patrimônio documental, o trabalho reafirma a importância da preservação dos acervos especiais para a produção de conhecimento e para a valorização da história cultural, como destaca Jorge Luis Borges, considerado um dos maiores autores da literatura do século XX. Em Petrópolis, a casa em que Zweig se suicidou em 1942 abriga atualmente a Casa Stefan Zweig, instituição dedicada à preservação da memória do escritor austríaco e reconhecida como um dos mais importantes memoriais do exílio no Brasil. O espaço tem por missão rememorar e homenagear centenas de exilados e emigrados que, ao fugirem das perseguições políticas e raciais na Europa, contribuíram decisivamente para o desenvolvimento das artes, das ciências e da cultura brasileira.

 

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Palavras-chave: Arquivamento preservação Memória

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